"Quem está no governo não inventa as coisas", diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira as mudanças de seu programa de governo para um possível segundo mandato. "Quem está no governo não inventa as coisas. Ele fala aquilo que está fazendo e propõe aquilo que pode fazer num mandato de quatro anos", respondeu, ao ser indagado sobre as diferenças entre o programa de governo de um candidato e o programa de alguém que já está no governo, em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre."Eu estou tranqüilo com o programa, porque ele foi pragmático", disse Lula. "Além de termos cumprido o programa que fizemos em 2002, estamos com grandes projetos de desenvolvimento para 2007 a 2010". Lula enumerou vários setores que devem se desenvolver, em sua avaliação. Ele citou os projetos de biodiesel, de indústria naval, a refinaria de petróleo em Pernambuco, a Universidade do Pampa (RS) e a ferrovia Transnordestina, entre outros."Então, um programa de governo retrata isso. É uma fotografia do que é o País hoje e do que é o Brasil que nós queremos amanhã", disse Lula. Conforme o presidente, o programa apresenta o Brasil "possível de ser construído", já que em 2003, quando tomou posse, ninguém tinha certeza sobre o que seria o futuro do País.Governo do Rio Grande do SulSobre o Rio Grande do Sul, Lula afirmou que o Estado tem um "déficit operacional fantástico", citando que o problema é crônico e começou antes dos últimos governos. "Nenhum Estado consegue sobreviver adequadamente se o gasto com inativos é maior que com os ativos", afirmou, ao responder sobre as dificuldades econômicas do Estado.Lula voltou a fazer referência aos acordos que os Estados assinaram com a União para renegociar a dívida mobiliária (em títulos). Na época, os Estados consideraram os acordos "maravilhosos", mas agora "todos acham que não vale mais nada". Ele lembrou que o Ministério da Fazenda irá formar um grupo de trabalho para discutir com o Rio Grande do Sul uma saída para o peso da dívida. "E possivelmente se encontrarmos uma saída para o Rio Grande do Sul possamos encontrar uma saída para outros Estados", comentou."Antes disso, no entanto, o Estado precisa tomar a decisão de sanear seus problemas internos", recomendou Lula. Além disso, ele reiterou que qualquer medida precisará respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal.Segundo o presidente, depois de quatro anos na presidência de um país como o Brasil, "você deixa de construir fantasias e passa a trabalhar com a realidade pragmática que os fatos e a nação te impõem". Lula disse que problemas do Rio Grande do Sul são similares aos de outros Estados e que o governo federal precisa trabalhar com a complexidade das diferentes situações.Lula também repetiu que tomará pessoalmente a iniciativa de procurar os partidos políticos para negociar acordos e considerou positiva a idéia de uma "concertação", defendida pelo ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro. "Vou tentar ver se é possível fazer uma concertação com os partidos políticos, definir as coisas importantes", disse Lula.Na entrevista, o presidente também voltou a dizer que o governo não elevou a carga tributária, ao responder sobre o aumento de arrecadação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Lula defendeu que a arrecadação pode crescer sempre em comparação ao PIB, acompanhando a expansão da economia, mas argumentou que o governo não aumentou nenhum imposto, exceto o PIS e Cofins para o setor de serviços e para produtos importados, a pedido das empresas nacionais. Lula afirmou que o governo promoveu desonerações que representam quase R$ 20 bilhões.Combate à corrupçãoAo ser questionado sobre o que pode ser feito contra a corrupção em um possível segundo mandato, Lula disse que seu governo "está fazendo um desmonte nas quadrilhas que existem secularmente nesse País". O candidato citou exemplos de operações deflagradas pela Polícia Federal que apuraram crimes existentes há vários anos.No ar, o candidato leu uma declaração do delegado geral da Polícia Federal, que afirma: "Tenho para mim que existe corrupção no Brasil desde 1500, mas nunca, que eu tenha conhecimento, houve um trabalho tão intenso de combate à corrupção como nesses anos recentes".Para o presidente, "pequenas corrupções" fortalecem a rede das grandes. Lula citou, como exemplos, as pessoas que tentam furar a fila em uma agência do INSS ou subornar um policial de trânsito para não ser multadas. "Eu sou de uma família pobre", contou. "Minha mãe obrigava agente a levantar o sofá para varrer debaixo dele", acrescentou. "É o que nós estamos fazendo na corrupção, varrendo."Lula prometeu apurar qualquer denúncia, "seja do meu partido ou de qualquer partido político". Ele também disse que as investigações da PF, Corregedoria Geral da União e Ministério Público são feitas de forma silenciosa, sem fazer "estardalhaço" nem "achincalhar" a vida de ninguém.Esta matéria foi atualizada às 13h30 para acréscimo de informações

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