'Quem manda é a presidente', reage Dutra

Ao tomar conhecimento da criação do 'blocão' no Congresso, presidente do PT diz que formação de governo cabe só a Dilma

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2010 | 00h00

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, interlocutor junto à presidente eleita, Dilma Rousseff, na equipe de transição de governo e de montagem do ministério com os partidos aliados, reagiu com veemência ao tomar conhecimento de que o PMDB, PP, PTB, PR e PSC montaram bloco parlamentar com 202 deputados.

"Pelo que sei, o Brasil tem um regime presidencialista. Quem manda é o presidente. Neste caso, quem vai decidir será a presidente Dilma Rousseff e não blocos partidários", disse Dutra, irritado. "Isso é uma coisa que ocorre lá no Congresso. O governo não vai se submeter a isso."

Com o acordo, os partidos pretendem ganhar força para reivindicar maios espaço no governo, justamente no momento em que Dutra está empenhado em negociar com os aliados o quinhão de cada um. O presidente do PT já entregou a Dilma listas com os pedidos de cada partido.

Após uma primeira reação mais incisiva, Dutra resolveu fazer uma declaração conciliadora. Para ele, os blocos são formados no Congresso porque assim os partidos ficam mais fortes nas comissões e em outros cargos exclusivos da Câmara.

"É legítima e natural a formação de blocos entre os partidos aliados no Congresso, porque é uma prerrogativa de cada um deles". Dutra lembrou que está trabalhando duro nas negociações com os partidos, para evitar o surgimento de crises.

Ele afirmou ainda que não foi fechado nenhum acordo com o PMDB para a partilha das presidências da Câmara e do Senado. Pelo sistema de partilhas vigente, PT e PMDB dividiriam o poder nas duas Casas, repetindo acordo feito na Câmara há quatro anos, que permitiu primeiro a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e, posteriormente, a de Michel Temer (PMDB-SP).

Especialistas. A partir de amanhã a equipe de transição começará a ouvir especialistas em temas que foram tratados durante a campanha. O primeiro encontro para esses estudos tratará da erradicação da pobreza, tema abordado por Dilma com insistência.

"Vamos ouvir especialistas do Ipea e da Fundação Getúlio Vargas para ver se é possível erradicar a pobreza e como fazer isso", disse o presidente do PT. Depois, serão feitas rodadas sobre segurança pública e sobre saúde.

Com base nos estudos de especialistas, Dilma Rousseff quer estabelecer o programa de atuação de cada ministério, independentemente do partido para o qual será entregue.

Ontem, a presidente eleita fez reuniões na Granja do Torto, onde vai morar, e recebeu dados de como está o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área dos transportes.

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