'Quem pôs que tira', diz Lula sobre indicação nos Correios

Presidente responsabiliza ministério pela nomeação de diretor ligado a [br]empresa que presta serviço à estatal

Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou ontem o Ministério das Comunicações e os Correios pela nomeação de um diretor da estatal, Eduardo Artur Rodrigues, ligado a uma empresa aérea que presta serviço de mala postal, a MTA. "Quem pôs que tira", afirmou Lula, sem esconder a irritação.

Domingo o Estado revelou que o coronel Eduardo Artur Rodrigues, que presidia a empresa aérea Master Top Linhas Aéreas (MTA), foi nomeado diretor de Operações dos Correios. A MTA venceu licitação de R$ 44,9 milhões para entregar encomendas da estatal. Com o coronel Rodrigues no cargo de diretor desde 2 de agosto, a família dele passou a ser contratada e, ao mesmo tempo, contratante dos Correios. Rodrigues deixou uma filha no comando da empresa aérea.

O coronel presidiu, em 2008, a companhia de cargas VarigLog, defendida pelo advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula. O presidente Lula, ontem, ressaltou que a nomeação do coronel Artur para a diretoria de Operações da estatal foi decidida pelo Ministério das Comunicações e pelos Correios. O Planalto apenas chancelou a nomeação.

"Se tiver problema, será trocado da mesma forma que entrou", afirmou Lula. Questionado se seu nome estava sendo usado por Roberto Teixeira para fazer negócios no governo, Lula disse: "Sinceramente, eu não vou responder porque achei que você iria fazer uma pergunta séria". Em e-mail enviado ao Estado, o escritório de Teixeira negou qualquer vínculo com o coronel Artur e que tenha feito indicações para os Correios. O coronel não se pronunciou.

O ministro das Comunicações, José Artur Filard, admitiu que, caso o coronel confirmasse o que foi dito, "eu teria que enviar um pedido de demissão". "Ele disse que nunca foi presidente da MTA, nem trabalhou lá dentro, nem a filha dele", afirmou Filardi. Segundo o ministro, o coronel Artur disse que a filha dele trabalha em uma consultoria que presta serviços para empresas aéreas e que ela já foi casada com o enteado do dono da MTA. "Mas ela se separou há três anos."

Segundo o ministro, a única coisa confirmada pelo coronel é que a filha dele teria uma procuração para representar a MTA junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na visão do ministro, isso não seria motivo para o coronel Artur deixar o cargo, uma vez que a procuração não dá poderes para a filha dele representar a MTA junto aos Correios.

Para o presidente dos Correios, David José de Matos, "as razões que apontam para que o coronel Artur seja afastado são inverídicas". Segundo ele, a procuração que a filha do diretor tinha para representar a MTA junto à Anac foi cancelada terça-feira.

Matos disse ainda que a MTA foi desclassificada do processo de licitação da linha São Paulo-Brasília-Manaus (ida e volta) por não ter apresentado a documentação necessária. Dessa forma, a segunda colocada, a Rio Linhas Aéreas Ltda., opera a linha. Segundo Matos, a MTA entrou na Justiça contra os Correios por causa da licitação.

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