Quer ver arte? Então, vá de metrô

Entre uma estação e outra da cidade, podem ser apreciadas 85 obras

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

Obras de Claudio Tozzi podem ser admiradas nas Estações Barra Funda (Movimento) e Sé (Colcha de Retalhos). Tomie Ohtake, na Consolação (Quatro Estações). Aldemir Martins na Tatuapé (Inter-Relação Entre o Campo e a Cidade) e Wesley Duke Lee na Trianon-Masp (Um Espelho Mágico da Pintura no Brasil). A partir de hoje, o acervo de 86 obras do Metrô - 84 delas expostas ao público nas estações - ganha mais uma peça: o painel Gente, Viagem, Gente, da artista plástica Leilah Costa, deve ser inaugurado às 11 horas na Estação Vila Mariana. "É muito bacana levar uma obra de arte para o povo, deixando-a em um ambiente de seu cotidiano", diz a artista. Confira o mapa e saiba onde estão as obras de arte nas estações do MetrôO projeto Arte no Metrô começou há exatos 30 anos, quando a Estação Sé entrou em funcionamento. As três primeiras obras a serem expostas ali, integrando o acervo permanente da companhia, foram as esculturas Garatuja, de Marcelo Nitsche; uma sem título, de Alfredo Ceschiatti; e um mural de Renina Katz, também sem nome. "A idéia da iniciativa é tornar os trajetos dos cidadãos mais próximos da arte", afirma o chefe do departamento de Marketing da companhia, Aluizio Gibson, que coordena o projeto. No início, o Metrô comprava as obras. Do começo dos anos 90 para cá, o interesse dos artistas em ter uma criação exposta no metrô paulistano, por onde circulam 3,3 milhões de pessoas por dia, passou a falar mais alto. "Eles procuram a companhia com um projeto, que é submetido a uma comissão especializada", conta Gibson. "Se aprovado, o artista fica livre para doar a obra ou viabilizá-la mediante patrocínio." Atualmente, 31 das 55 estações em funcionamento contam com obras em exposição. Participam do projeto 61 artistas, como Maria Bonomi, Alex Flemming, Mário Gruber e Gontran Guanaes, além dos já citados, entre outros. O acervo da companhia é composto por 21 painéis - contando com o inaugurado hoje -, 15 tratamentos cromáticos, 15 esculturas, 14 pinturas sobre tela, 12 instalações e 10 murais. Para o artista plástico Claudio Tozzi, a concepção da obra que será exposta em um espaço público deve ser pensada de modo diferente ao daquele que ficará em uma galeria ou um museu. "São características especiais, pois há a relação com o espaço, o diálogo com o entorno", explica. Ele acha interessante levar a arte para ambientes assim. "Fica quase um espaço simbólico, uma referência. Há quem marque um encontro em frente à obra, por exemplo."Com o painel inaugurado hoje - um mosaico feito com 44.390 pecinhas de vidro -, a artista Leilah passa a integrar o time dos que têm obras expostas no metrô. O mosaico, de 18 m², é uma releitura que ela fez do cenário das estações, destacando a pressa e a busca por um objetivo comum a todos os usuários do transporte público: chegar ao destino. "Fiz a imagem no computador, utilizando letras e números para desenhar", revela ela, que levou um mês para conceber a obra. "Se você observar bem, os braços são letras ?ele?, a roda é um ?zero?, e assim por diante."

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