Quércia renuncia e dá tempo de TV a Aloysio

Ex-governador retira a candidatura ao Senado e anuncia apoio a tucano - o outro candidato da coligação -, que terá 5 minutos no horário eleitoral

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

O ex-governador Orestes Quércia (PMDB) renunciou ontem, por carta, à candidatura ao Senado de São Paulo para se recuperar de um câncer de próstata. Ao desistir da disputa, anunciou apoio ao outro candidato da coligação Unidos por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). O tucano usará o tempo integral no horário eleitoral (5 minutos).

A decisão pode provocar reviravolta na disputa. Quércia, com 23% das intenções de voto da última pesquisa Ibope, está tecnicamente empatado na segunda posição com Netinho de Paula (PC do B), com 26%. Aloysio tem 12% na mesma pesquisa. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

Dirigentes do PMDB optaram, após reunião com Quércia ontem no Hospital Sírio-Libanês, por não reivindicar a segunda vaga ao Senado. A expectativa é que o gesto viabilize a transferência de votos a Aloysio Nunes.

"O eleitor do Quércia não necessariamente é o mesmo do Aloysio, mas acreditamos na vitória do Aloysio agora, como o único da coligação", disse o prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri (PMDB).

Aloysio afirmou que o ex-presidente Fernando Henrique, os candidatos à Presidência, José Serra, e ao governo, Geraldo Alckmin, estarão no programa por "fazerem parte" de sua história. O PSDB espera aumentar a exposição de Serra. "Bem orientado e utilizado, claro que é um tempo significativo que ajuda muito o Aloysio e as outras candidaturas majoritárias", disse Sidney Beraldo, coordenador da campanha de Alckmin.

O nome de Quércia deverá ser retirado da urna eletrônica. Segundo informação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), se a renúncia for formalizada antes do dia 8 haverá tempo de retirá-lo.

Com a renúncia, o PMDB exigiu a primeira suplência na chapa, que deve ser ocupada por Airton Sandoval Santana, secretário-geral do partido no Estado.

Quércia tomou a decisão a pedido da família, no domingo. "Não houve recomendação médica para que ele saísse da campanha. Foi bom senso, decisão conjunta da família", contou a filha Andreia Quércia. Para ela, foi a "primeira vez" que o pai "colocou o lado pessoal à frente da política".

O vice-presidente do PMDB estadual, Jorge Caruso, afirmou que Quércia permanece na direção do partido e só gravará programas sob autorização médica.

PARA ENTENDER

O Senado é composto por 81 senadores - 3 representantes de cada Estado e do DF -, eleitos para mandatos de oito anos. Um terço da Casa é renovada numa eleição e os outros dois terços na seguinte. Este ano, serão renovados dois terços, portanto cada Estado elege 2 senadores.

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