Quercistas contestam atos de comissão provisória

Segundo líder do grupo, interventores tomam metade dos diretórios em SP e se dão direito de ser candidatos locais

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

SOROCABA

Peemedebistas históricos do Estado querem anular os atos da comissão provisória paulista que levaram à dissolução, só este ano, de mais de uma centena de diretórios municipais do interior e da Grande São Paulo. Na segunda-feira, eles encaminharam ofício ao presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, denunciando o "caos partidário" e o clima de "instabilidade política no PMDB" gerados pela ação da executiva estadual, presidida pelo deputado Baleia Rossi. O documento pede o cumprimento do estatuto para evitar uma medida judicial que "poderá ampliar ainda mais o caos e inviabilizar a participação do partido nas eleições municipais do Estado de São Paulo".

De acordo com o porta-voz do grupo, Milton Luis Henrique de Araújo, do PMDB de São José do Rio Preto, entre os atingidos pelas intervenções estão ex-prefeitos e peemedebistas de longa data, muitos ligados ao ex-governador Orestes Quércia, que morreu em dezembro do ano passado. Para Araújo, em vez de dissolver os diretórios, a comissão deveria ter convocado eleições regionais, como prevê o estatuto.

"O que de fato está acontecendo é que a provisória paulista, sem respaldo do estatuto do PMDB, está intervindo em quase metade dos diretórios eleitos legitimamente pela militância e dando a esses interventores o direito de serem os candidatos locais, conforme suas conveniências", afirmou Araújo. Segundo ele, os próprios membros da comissão abrem o processo, julgam e indicam o interventor.

Em análise. A assessoria do PMDB nacional confirmou o recebimento do ofício de Araújo e informou que o conteúdo ainda será analisado. Também informou que as mudanças ocorridas nos diretórios municipais estão sendo acompanhadas. O presidente da executiva estadual, Baleia Rossi, disse que as trocas que ocorrem nos diretórios municipais em São Paulo são legítimas e têm o aval do departamento jurídico do PMDB.

"É uma questão pacífica. As mudanças serão ratificadas em ata pelo diretório nacional. O pessoal está incomodado porque o partido está em cima, cobrando, pois queremos um PMDB forte em São Paulo", argumentou.

Influência

A morte do ex-governador Orestes Quércia, em dezembro, abriu espaço para o vice-presidente Michel Temer ter mais poder de influência sobre os diretórios do Estado de São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.