Quintão descarta intervenção federal no RJ

O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, disse hoje que o governo não pretende intervir no Rio de Janeiro para combater o crime organizado. "Intervenção é um ato muito grave. Eu já mandei para a governadora Benedita da Silva e para a Secretaria de Segurança cópia de ofício para elencar ações subsidiárias que as Forças Armadas poderão executar no Rio de Janeiro, em apoio à ação da polícia", afirmou o ministro, depois de participar da cerimônia de comemoração dos 137 anos da Batalha Naval do Riachuelo, em Brasília. Para Quintão, a situação no Rio de Janeiro está se agravando cada vez mais. O problema, entretanto, na avaliação do ministro, não é de hoje. "É de alguns anos que os marginais se apoderaram dos morros cariocas". Na opinião do ministro da Defesa, a repressão é a única forma de resolver esse problema.Quintão disse não acreditar que o Rio possa se transformar em uma Colômbia, por conta do tráfico de drogas. "Eu creio que não e nem quero que isso aconteça. Mas que a situação lá não é fácil, não é, haja visto o crime, assassinato bárbaro e cruel com o jornalista Tim Lopes, que estava cumprindo o seu dever, estava lá tentando informar seus leitores, e o matam como fizeram, abrindo seu peito, com uma faca. Não se pode imaginar isso em um País civilizado como o Brasil", afirmou. O ministro da Defesa disse ainda que o presidente Fernando Henrique Cardoso está preocupado com o assassinato de Tim Lopes, pois é um crime "inconcebível e inacreditável" no Brasil. "E não pode o Estado, em hipótese alguma, condescender a uma situação dessa", afirmou. Mesmo assim, segundo ele, o governo não pensa em uma ação mais imediata no Estado."Nós temos uma federação. Nós temos de respeitar a federação e a segurança pública é competência de cada Estado. O governo já está ajudando com o apoio da Polícia Federal e a destinação de recursos do Plano Nacional de Segurança", justificou. Segundo ele, o apoio das Forças Armadas será sobretudo na área de inteligência, "porque esse é o meio melhor de combater essa marginalidade".Para Quintão, a atuação da imprensa neste caso também é importante. "Tem que esclarecer à população o que está acontecendo no Rio e cobrar do Estado as ações mais efetivas para que se ponha um fim nesta situação de anormalidade".

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