Quinze anos depois, morte de PC segue sem julgamento

Apontado como crime passional e, depois, homicídio duplo, caso pode ter desfecho neste ano, com júri popular

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2011 | 00h00

Quinze anos se passaram e a morte do ex-tesoureiro do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), o empresário Paulo César Farias, continua impune e cercada de mistérios. PC, como era conhecido o empresário alagoano, foi encontrado morto ao lado da namorada Suzana Marcolino, na manhã do dia 23 de junho de 1996, véspera da festa de São João. Na época, PC estava em liberdade condicional e era réu em inúmeros processos por crimes financeiros, sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. Tinha audiências marcadas e poderia fazer revelações sobre a participação de outras pessoas nas atividades ilícitas que comandava. Por isso, sua morte foi investigada como queima de arquivo.

No entanto, a primeira versão para o caso - apresentada pelo delegado Cícero Torres e pelo legista Badan Palhares - foi de crime passional. Para os defensores da tese, Suzana teria matado PC e depois se suicidado. Essa versão foi contestada pelo médico George Sanguinetti e depois derrubada por uma equipe de peritos convocados para atuar no caso, fornecendo às autoridades policiais um contralaudo.

Duplo homicídio. Em 1998, a equipe dos peritos Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), e Genival Veloso de França, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), derrubou a tese de crime passional e concluiu pela tese de duplo homicídio. Com isso, nova investigação foi iniciada, tendo à frente os delegados Antônio Carlos Azevedo Lessa e Alcides Andrade, que contaram com a colaboração do perito Ailton Vila Nova.

Foi com base na segunda perícia que os delegados indiciaram os seguranças Reinaldo Correia de Lima Filho, Adeildo Costa dos Santos, José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos como autores materiais e apontaram o então deputado federal Augusto Farias como o autor intelectual do duplo homicídio. O ex-deputado nega envolvimento na morte do irmão e continua dizendo que acredita em crime passional.

Como Augusto Farias, à época, gozava do foro privilegiado, somente os seguranças foram pronunciados e serão levados a júri popular. O julgamento deles deve ocorrer ainda este ano, de acordo com informações do juiz Alberto Jorge Correia de Lima, da 8.ª Vara Criminal de Maceió. O magistrado aguarda a chegada dos autos, que estavam em Brasília, para marcar o julgamento.

Correia disse que com a decisão do ministro do STF, Joaquim Barbosa, de negar o último recurso possível para evitar que os quatro seguranças fossem à júri popular, o julgamento pode ser marcado a qualquer momento. Os seguranças ainda trabalham como policiais militares e o advogado deles, José Fragoso Cavalcanti, diz que vai provar a inocência dos quatro. "Eles estão sendo acusados sem base nenhuma, portanto não tenho dúvida da absolvição deles por falta absoluta de provas", afirmou.

Os quatro militares que trabalhavam para PC no dia do crime evitam falar sobre o caso e são avessos a entrevistas. Apenas o advogado do grupo fala por eles.

As tentativas da defesa em evitar o júri popular fizeram com que o caso tramitasse nas cortes superiores por mais de nove anos, em grau de recurso. Finalmente, no último dia 26 de abril, Joaquim Barbosa deu um basta e negou o último recurso possível.

Na época, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra os quatro os quatro militares indiciados pela polícia. O promotor de Justiça Luiz Vasconcelos acredita que eles fizeram uma espécie de pacto.

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