R$ 160 mil em medicamentos contra câncer são aprendidos em SP e no Rio

Polícia ainda não sabe de onde vieram os remédios; três pessoas foram presas

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 18h39

SÃO PAULO - Medicamentos de alto custo, usados no tratamento contra o câncer, que haviam sido furtados ou desviados de hospitais públicos foram apreendidos nesta segunda-feira, 14, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A apreensão representa cerca de R$ 160 mil em medicamentos. Uma pessoa foi presa na capital paulista e outras duas no Rio.

 

A polícia ainda não sabe de onde vieram os medicamentos - de roubos a hospitais ou de desvios de funcionários da Secretaria Estadual de Saúde. Havia informações de que produtos roubados em São Paulo estariam sendo vendidos no Rio de Janeiro. A polícia carioca encontrou medicamentos roubados e desviados, mas não da secretaria paulista. Do total, R$ 34 mil em medicamentos foram apreendidos em São Paulo e R$ 125 mil no Rio. Os medicamentos, como o MabThera, chegam a custar R$ 8 mil uma única cada caixa.

 

A investigação durou seis meses e envolveu a Corregedoria-Geral da Administração do Estado de São Paulo e a Polícia Civil. "Com essa operação se pretende enfrentar a receptação do que é subtraído", disse o corregedor-geral, Gustavo Ungaro. A corregedoria comparou informações como preços de medicamentos e chegou ao Centro de Diagnóstico em Oncologia de Osasco, região metropolitana de São Paulo. Na clínica, foram encontrados os medicamentos com lotes e identificação do governo do Estado, de venda proibida. Os produtos tinham registro de compra de uma distribuidora da zona sul de São Paulo - que sequer tinha registro com o laboratório fabricante. Na distribuidora foram apreendidos outros medicamentos, ainda não contabilizados pela polícia, que estavam com validade vencida e com outras irregularidades, como de armazenamento.

 

A distribuidora foi lacrada pela Vigilância Sanitária e uma funcionária foi presa. A Polícia vai pedir a prisão do dono da distribuidora, ainda não encontrado. A clínica também pode responder por receptação.

 

A delegacia de crimes contra a saúde Pública de São Paulo estima que, desde 2009 - ano em que a delegacia foi criada - cerca de R$ 10 milhões em medicamentos comprados pelo governo foram furtados ou desviados. Segundo o delegado Anderson Pires Gianpaolo, a operação pode ter encontrado a "ponta de um iceberg" em relação a esse casos. "Tudo indica que estamos diante de uma organização criminosa", disse Gianpaolo.

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