R$ 50 mil de propina para prostíbulo virar hotel

Testemunhas denunciam ao MPE que Maroni pagou a policiais para que processo contra o Clube Bahamas fosse arquivado por falta de provas

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2008 | 00h00

O Ministério Público Estadual (MPE) decidiu reabrir uma investigação sobre exploração de prostituição que promete envolver policiais civis e peritos criminais em mais um escândalo de corrupção. Trata-se de um inquérito feito pela polícia sobre o Clube Bahamas que não encontrou indícios de prática de prostituição no lugar e da acusação de que a casa pagava R$ 3 mil por mês para não ter problemas com a polícia. A conclusão no inquérito favorável aos interesses do empresário Oscar Maroni custou R$ 50 mil, valor da propina supostamente paga pelo empresário aos responsáveis pela investigação e pela perícia feita na casa noturna. Tudo começou com uma blitz efetuada em 1999 pelos homens do 27º Distrito Policial, responsável pelo bairro do Campo Belo, na zona sul. Os policiais que investigavam se o Bahamas era ou não uma casa de prostituição teriam chegado ali às 14 horas - a casa tem funcionamento total só no fim da noite, começo da madrugada. Em seguida, pediram ao Instituto de Criminalística (IC) que um laudo verificasse se o local funcionava como um prostíbulo. Concluído, o laudo mostrou que o Bahamas era um hotel onde havia hóspedes, em vez de prostitutas - duas pessoas teriam sido contratadas para se passarem por hóspedes. Por falta de provas, o caso havia sido arquivado pelo MPE até que, recentemente, duas testemunhas procuraram a promotoria e contaram que a liberação do Bahamas foi obtida mediante o pagamento de R$ 50 mil. Um delas, uma mulher, está sob proteção. Ela revelou que a propina mensal foi paga entre 1999 e 2003. A Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil vai analisar os novos indícios. O promotor responsável pela decisão de reiniciar a investigação é José Carlos Guillen Blat, o mesmo que desarquivou o inquérito que provocou a decretação da prisão de Maroni, em agosto. O empresário era suspeito de tráfico de mulheres, exploração da prostituição e formação de quadrilha e acabou denunciado por Blat depois que o promotor reuniu novas evidências. Aceita pela Justiça, a denúncia se transformou em processo. Ao mesmo tempo, Blat obteve dois mandados de busca e apreensão para procurar mais provas contra Maroni. Agendas e computadores do empresário foram apreendidos. Maroni está preso no 13º DP, cujas celas são reservadas para quem tem curso superior - ele apresentou à polícia um diploma de psicologia. O empresário se diz vítima de perseguição. E já anunciou que será candidato a prefeito de São Paulo nas eleições de 2008. Maroni nega que o Bahamas seja prostíbulo. Segundo ele, é uma casa de diversão para homens, mulheres e casais.

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