Racha com policial deixa 1 morto e 3 feridos graves

Agente deve responder por homicídio intencional, sem direito à fiança; parente diz que ele fugia de assalto

Camilla Haddad e Andressa Zanandrea, O Estadao de S.Paulo

27 Agosto 2008 | 00h00

O policial civil Everton Silva Novaes, de 25 anos, foi preso em flagrante ontem, acusado de participar de um racha em Guarulhos, na Grande São Paulo, que terminou com um morto e três feridos graves. Ele está internado no Hospital Geral Guarulhos (HGG), sob escolta, mas deve responder por homicídio doloso (intencional) e lesão corporal. Conforme legislação aprovada neste ano, o crime de racha se tornou inafiançável. Segundo a versão da polícia, Novaes disputava um racha às 23 horas de segunda-feira com um Voyage e com um Corsa Wind na Avenida Lauro de Gusmão Silveira, no Jardim Geraldo. No meio do trajeto, porém, teria perdido a direção e batido na traseira do Corsa - onde havia três pessoas. Segundo testemunhas e familiares das vítimas, porém, o policial perdeu o controle do veículo quando disputava um "pega" com o Voyage. Em seguida, teria atingido o Corsa Wind, que estaria estacionado. Três amigos que estavam parados ao lado do carro foram atingidos. O ferramenteiro Paulo Rogério Martins, de 26 anos, morreu na hora. Em entrevista a uma emissora de televisão, o pai, o ferramenteiro Pedro Martins, disse que se soubesse da ida do filho a um racha "teria pedido para ele não ir". A viúva de Martins, que preferiu não se identificar, estava inconformada. "Racha é ignorância. Foi uma crueldade o que fizeram com meu marido." Martins foi arremessado a 10 metros de altura e a 30 metros de distância. Outro ferido, o estoquista Ricardo Almeida, de 20 anos, quebrou a clavícula e o fêmur. Ele está em estado grave. Segundo testemunhas, Almeida seria o dono do Corsa. Já o autônomo Carlos Portugal, de 18 anos, sofreu traumatismo craniano e quebrou o fêmur. Seu estado é considerado gravíssimo. Neide Silva, tia dele, contou que a família está muito abalada e não sabia que o rapaz se interessava por racha. "A mãe está desesperada. Acho que nem é hora de falar", conta. "O que sei é que ele tinha o hábito de ir para Guarulhos, só que estava assistindo do lado de fora do carro." De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, Bucini - que estava sentado no banco do passageiro do Gol - foi transferido ontem à tarde do HGG para o Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa, unidade da Grande São Paulo. O jovem, morador da capital, não corre risco de morte. Os demais permanecem internados no HGG, mas sem previsão de alta. O policial Novaes teve traumatismo craniano e fraturou parte do rosto, mas tem quadro clínico estável. A Secretaria de Segurança Pública (SSP ) se recusou a passar o cargo do policial civil, morador do bairro de Vila Carrão, na zona leste de São Paulo. Limitou-se a informar que Novaes será avaliado pela Corregedoria da Polícia Civil. Informações passadas pelos PMs indicam que o policial trabalha no Centro de Operações da Polícia Civil da capital. O Gol, que ficou completamente destruído, estava em seu nome e tinha um equipamento turbo, de aceleração. ASSALTO Segundo o irmão do policial Everton Novaes, que preferiu não ser identificado, ele foi vítima de um "assalto" em Guarulhos e não tem qualquer relação com racha. "Meu irmão tinha ido mostrar o Gol a um possível comprador. Ao chegar lá, um homem armado dentro do Voyage disse que era assalto", contou. "Meu irmão acelerou e fugiu. O Voyage bateu no carro dele até atingir o Corsa." De acordo com o parente, o policial pretendia se casar em 12 de outubro e tinha pressa de vender o carro para juntar dinheiro. "Infelizmente meu irmão não foi ouvido pelo delegado de plantão. O boletim de ocorrência foi feito de qualquer jeito. Vamos tomar as providências. Meu irmão é policial e sofreu uma tremenda injustiça." A Avenida Lauro de Gusmão Silveira, em Guarulhos, onde ocorreu o acidente, é conhecida na região como ponto de racha. A prefeitura informou que tem um projeto para reduzir a velocidade dos carros na avenida. Mas informou que cabe à Polícia Militar, e não a ela, fiscalizar qualquer abuso nesse sentido por parte dos motoristas. A PM foi procurada, mas até as 20 horas não retornou as ligações.

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