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Rachadura em nova barragem mantém moradores abrigados em escolas na Bahia

Cerca de 500 moradores que se preparavam para retornar a suas casas foram evacuados na cidade de Coronel João Sá. Rompimento de outra barragem atingiu o local nesta quinta

Renata Farias, Especial para O Estado

12 de julho de 2019 | 21h14
Atualizado 12 de julho de 2019 | 23h06

SALVADOR - O iminente rompimento de uma segunda barragem no município de Pedro Alexandre, a 435 km de Salvador, levou à evacuação de aproximadamente 500 moradores da cidade vizinha, Coronel João Sá. Por meio de redes sociais, o prefeito de Coronel João Sá, Carlos Sobral, divulgou nesta sexta-feira, 12, um alerta de enchente relacionado a uma rachadura na barragem do povoado de Boa Sorte. "As águas vão chegar muito mais rápido. Por isso, eu peço para as pessoas que retornaram para essas áreas de risco que voltem para onde vocês dormiram ontem à noite. Voltem para as escolas, o ginásio de esportes e para a casa dos parentes que vamos dar toda a assistência", alertou.

Em entrevista ao Estado, Sobral explicou que o Corpo de Bombeiros confirmou um vazamento na barragem após denúncia de um morador. "A gente fez outro plano de evacuação e enviou uma máquina para aumentar o sangradouro e evitar o rompimento da barragem".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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A população havia sido evacuada devido ao rompimento da barragem do Quati, também em Pedro Alexandre, mas já se preparava para retornar às casas. No entanto, o novo alerta obrigou os moradores a permanecerem abrigados nas escolas. O prefeito de Coronel João Sá explicou ainda que a rachadura não está relacionada ao rompimento da primeira barragem. O problema seria consequência das chuvas que atingem a região.

Prefeito estima prejuízo em R$ 10 milhões

O prefeito Carlos Sobral estima em mais de R$ 10 milhões os prejuízos provocados pelo rompimento da barragem do Quati. "São muitas casas destruídas, ruas, pontes, estradas, postes...danificou tudo, além dos bens materiais de muitas famílias, que perderam o que tinham, e precisaremos repor. É um situação, realmente, de calamidade", disse o gestor municipal."

Nem mesmo o cemitério municipal ficou imune aos efeitos da enxurrada.  Vamos precisar da ajuda de todas as instâncias, inclusive do governo federal. Pela manhã, entrei em contato com o coronel Alexandre Lucas (secretário de Defesa Civil do governo Bolsonaro), que se mostrou sensível à nossa situação", afirmou o secretário de Obras de Pedro Alexandre, Petrúcio Santos.

Sobral disse, ainda, ter cancelado os festejos pelo aniversário da cidade, que aconteceriam no próximo dia 27. 

'Efeito cascata'

A barragem rompeu por volta das 11h, após o transbordamento do Rio do Peixe, localizado na mesma região, devido às fortes chuvas que caíram sobre aqueles municípios por cinco dias subsequentes. Inicialmente, o governo do estado, responsável pela construção e fiscalização da barragem, negou o rompimento, referindo-se apenas a um transbordamento. Mas, nesta manhã, admitiu o ocorrido, após vistoria realizada por técnicos da Defesa Civil do Estado e do Corpo de Bombeiros.

Em Pedro Alexandre, conforme Petrúcio Santos, os estragos foram em menor proporção, porque poucas casas que ficavam nas proximidades da barragem foram atingidas. As famílias foram retiradas e relocadas pela prefeitura. "Foi muita água que correu da barragem, que sangrou até o fim", lembrou o secretário.

Já o governador do estado, Rui Costa, que durante a tarde esteve no local, tentou minimizar o impacto do ocorrido, dizendo que "a imprensa está tratando como barragem, mas aquilo é uma barragem de armazenamento, muito pequena. O que houve, na verdade, é que pequenas barragens de propriedades particulares se romperam, gerando um efeito cascata. Fazem uma barragem, duas, e juntam uma quantidade de água, para animais consumirem e elas se romperam, porque foi muita água como nunca se viu, na região", explicou.

Rui Costa anunciou a construção de uma nova barragem no local. "Me comprometi com o prefeito de Pedro Alexandre que vamos fazer uma barragem adequada, com a proteção adequada, para que a população possa sobreviver", garantiu, referindo-se aos pescadores que vivem naquela área.

A barragem do Quati foi construída pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e entregue em 2000 à Associação de Moradores da Comunidade do distrito, que a utilizava para pesca no período de estiagem. /COLABOROU HELIANA FRAZÃO

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