Rachadura em prédio assusta moradores

Um enorme barulho nesta quinta-feira deixou alguns moradores do Edifício Aquarius em pânico. O prédio, localizado na Avenida Vigário Albernaz, 421, na Vila Gumercindo, zona sul de São Paulo, foi construído há 2 anos e abriga cerca de 60 famílias em 15 andares. O estrondo foi provocado por uma rachadura na parede da sala que divide os apartamentos 103 e 104. Às 22h30 técnicos da Administração Regional do Ipiranga foram chamados e interditaram o edifício.Algumas famílias saíram dos apartamentos. Outras preferiram ficar e aguardar o laudo do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru). Às 18h30 desta sexta-feira o prédio foi desinterditado pelo Contru. De acordo com o diretor do órgão, Clayton Claro da Costa, o laudo apresentado pela construtora atendeu às exigências de segurança. "Analisamos o relatório e chegamos à conclusão de que houve um assentamento da laje. Isso é normal."A Prefeitura determinou que a construtora restaure a rachadura. A Cosil Construções e Incorporações Ltda., responsável pela obra, transferiu algumas famílias para um hotel na Alameda Campinas. O número de famílias que deixaram o edifício não foi divulgado. O incidente obrigou alguns moradores a romper a rotina. Segundo uma professora do Colégio Mater Et Magistra, que preferiu não se identificar, dois alunos que moram no prédio não compareceram às aulas. Proprietários e funcionários do Edifício Aquarius não quiseram falar com a imprensa. Segundo a comerciante Shirlei Simone, de 34 anos, os moradores diziam apenas que tudo estava bem ao serem indagados sobre o que tinha acontecido. A movimentação em frente ao edifício era normal. Os moradores entravam e saíam da garagem do prédio e fechavam as janelas dos carros ao verem jornalistas.Segundo o diretor do Contru, a rachadura atingiu 20 centímetros acima do chão da sala e pegava toda a parede. "Talvez a parede tenha de ser refeita. O problema aconteceu onde passa a fiação", disse o diretor. "A parede não faz parte da laje de sustentação do prédio", acrescentou.Segundo ele, o procedimento da regional, de interditar o edifício, foi correto. "A Prefeitura não quer colocar a vida das famílias em risco." O engenheiro José Carlos Silva, diretor-presidente da Cosil Construções e Incorporações Ltda., afirmou que a rachadura na parede de apartamentos do 10º andar se deve ao fato de o concreto armado sofrer deformações durante os primeiros cinco anos de uma construção - o edifício foi concluído há dois anos.Segundo ele, mudanças bruscas de temperatura causam sobrecarga na alvenaria, podendo provocar esse tipo de fissura. "Mas no caso do Aquarius, o fenômeno não comprometeu a estrutura do prédio", ressaltou.

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