Radiohead fascina e hipnotiza em festival paulistano

Ingleses cantaram por 2h21 e tiveram três bis em show aberto pelos Los Hermanos

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2009 | 00h00

O telão falhou durante duas músicas, e a plateia só levantou mesmo (e cantou a plenos pulmões) quando Thom Yorke cantou ao violão Karma Police, o primeiro hit da noite. Mas o show do Radiohead mostrou que a banda é tudo aquilo que os fãs esperavam: cheia de visceralidade, coragem, entrega, timing de palco. Alguns fãs assistiam sentados no gramado, como que hipnotizada, a apresentação no festival Just a Fest, na Chácara do Jockey, em São Paulo.A banda entrou no palco às 22 horas em ponto, com 15 Step, a primeira música do disco mais recente, In Rainbows, que compareceu em peso durante a apresentação. "Boa noite", disse Yorke em português. O começo do show parecia prometer uma noitada romântica, com o público se deliciando com baladas como All I Need. Houve um momento, antes e depois da terceira música, que uma gravação de rádio brasileira entrou nos alto-falantes (uma FM de Campinas), o que parecia um problema no sistema, mas era algo premeditado pelo grupo.Com três bis, fechando uma jornada de 2h21 de show, o grupo se despediu do Brasil com o maior sucesso de sua carreira, Creep (do primeiro disco, Pablo Honey, de 1983), à 0h21 dessa segunda-feira. Entremeando canções novas, como House of Cards, com sucessos como Fake Plastic Trees, o show permitiu ao Radiohead fechar a temporada como uma das novas superbandas do cenário musical - do mesmo clube fechado de U2, Rolling Stones e Oasis. As apresentações de Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead transcorreram num clima de festival inglês, aquela forma de reciclar a antiga utopia hippie em uma locação bucólica, quase uma fazenda (mas com serviços do século 21). Cerca de 30 mil pessoas estavam na plateia, enfrentaram a lama e as filas difíceis de transpor nos bares.O grupo Los Hermanos também foi pontual. A primeira canção, Todo Carnaval Tem Seu Fim, mostrou porque o grupo se tornou de fato um dos maiores fenômenos do pop rock brasileiro dos últimos anos: a cada música que se seguia, o público cantava a plenos pulmões os refrões.Com todos de camisa xadrez, como lenhadores barbudos de filme da Disney, os Hermanos reuniam-se pela primeira vez desde o rompimento da banda, há um ano, e não há sinais de que seja um reatamento definitivo, apesar dos apelos feitos pela plateia. Já a reiteração mecânica de som, performance, truques visuais e ironia pré-eletrônica do Kraftwerk não trazem mais a surpresa de 1998, quando se apresentaram pela primeira vez no Brasil. Talvez isso explique a falta de vibração e entusiasmo com que foram recebidos ontem, como a segunda atração da noite. Nenhuma novidade: o quesito "empolgação" nunca fez parte do repertório maquinista do Kraftwerk, grupo formado em Dusseldorf ainda na virada dos anos 1960 para os anos 1970. Os alemães iniciaram seu show com Man Machine, canção que é sustentada por um show de abstracionismo geométrico mondrianesco no telão.

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