Rainha Beatrix visita legado deixado por holandeses em Recife

Na última escala da visita ao Brasil, antes de viajar hoje de volta a Holanda, a rainha Beatrix van Nassau-Orange entrou em contato com parte do legado deixado pelo seu país na época da dominação holandesa em Pernambuco (1630/54). Ela visitou a Sinagoga Zur Israel, na rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, a primeira das Américas, construída em 1639 durante o período de liberdade religiosa promovida pelo conde Maurício de Nassau, que governou Pernambuco de 1637 a 1644. Viu uma exposição de mapas do século 17 feitos pelo cartógrafo holandês Joan Vingboons, no Instituto Cultural Bandepe, e foi a primeira a conferir uma exposição com 15 telas do artista holandês Frans Post, integrante da comitiva de Nassau e primeiro a retratar a paisagem americana. Esta mostra, patrocinada pelo Instituto Ricardo Brennand, no bairro da Várzea, será aberta ao público dia 9 de abril e mostrará também objetos, mapas, moedas e gravuras de livros da época do domínio holandês.À tarde, a rainha e sua comitiva visitaram o Forte Orange, construído pelos holandeses na Ilha de Itamaracá, na região metropolitana. O único compromisso da rainha que não teve ligação com a memória holandesa foi uma visita ao Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip), voltado para o atendimento de gestantes e crianças carentes, onde ela inaugurou a praça Cantinho da Criança, dentro do hospital, que patrocinou ao custo de R$ 30 mil. Durante o tempo que a comitiva real passou no IMIP - das 9h às 10h - o atendimento foi suspenso e gerou reclamações. Cerca de 100 pessoas que tinham consulta marcada ou iam procurar algum serviço médico neste horário ficaram numa rua lateral, sob sol forte, à espera da saída da rainha. "Nem na sombra a gente pode ficar", queixou-se Adelma Siqueira, que veio de Garanhuns, no agreste, para um consulta marcada anteriormente para a filha, um bebê de quatro meses. Encerrada a visita, o funcionamento voltou ao normal.

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