Rainha passa bem e pode ser liberado hoje, diz Jungmann

O ministro do DesenvolvimentoAgrário, Raul Jungmann, conversou portelefone com o líder do Movimento Nacional dos TrabalhadoresRurais Sem-Terra, José Rainha Júnior, que está internado no hospitalPorto Primavera, em Rosana. no Pontal do Paranapanema. Rainhafoi baleado no ombro hoje, quando voltava da fazenda Santa Ritado Pontal, em Rosana, onde tentara intermediar o conflitoentre os proprietários da área e os sem-terra. Segundo oministro, Rainha passa bem e poderá ser liberado ainda hoje.Jungmann disse que há uma situação "no mínimo, muitoestranha" envolvendo a área. Segundo informou, a fazenda SantaRita do Pontal foi desapropriada para fins de reforma agrária hátrês anos. Na mesma época, o governo federal fez o ajuizamentoda área (depósito de dinheiro e Títulos da Dívida Agrária em umaconta especial administrada pela Justiça). O passo seguinteseria o juiz transferir o dinheiro para os proprietários dafazenda e alterar a titularidade da área."Normalmente, esse processo é bem expedito, justamenteporque envolve conflito", explicou Jugmann. Mas, nesse caso, aetapa final da desapropriação nunca ocorreu. "É um escândalo",afirmou o ministro. "O dinheiro está lá há três anos e o juiznão fez a transferência." Segundo Jungmann, já se sabia háalgum tempo que a situação era tensa e poderia haver conflito.Em dezembro passado, a procuradora-regional do InstitutoNacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pediuaudiência ao juiz Alfredo dos Santos Cunha, da 1ª Vara Federalde Presidente Prudente, responsável pelo processo, e o alertousobre o risco.FHC - Jungmann disse que telefonou hoje para opresidente Fernando Henrique Cardoso para informá-lo do problemacom Rainha, que pediu que procurasse o líder do MST em seu nome.O ministro também conversou com seu colega da Justiça, AloysioNunes Ferreira, que mandou integrantes da Divisão de ConflitosFundiários da Polícia Federal para a área. Jungmann e osecretário de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, irão aoPontal amanhã ou, no máximo, na segunda-feira.O advogado do MST na região do Pontal doParanapanema, Cícero de Barros, disse hoje que o líder JoséRainha Júnior não liderou a ocupação da fazenda, mas visitou aárea de manhã "para controlar a situação e manter os ânimosapaziguados". Segundo o advogado, quando voltava de carro dafazenda, em companhia de outros dois militantes, o líder do MSTfoi abordado por três seguranças a cavalo, que começaram aatirar depois de gritarem "você vai morrer". Rainha saiu docarro e começou a rolar em direção a uma cerca, quando foiatingido na altura do ombro.

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