Rapaz acreditava estar invisível

Em 2001, A.Z., então com 26 anos, passou por uma experiência semelhante à de Fabíola Silveira. Em uma noite de sábado, ele pegou o carro da família escondido dos pais, que moravam em Campinas, e dirigiu em alta velocidade até a casa da namorada, em Americana. O jovem tinha convicção de que passava por uma experiência espiritual na qual estava invisível e não seria detectado pelos inúmeros radares de velocidade espalhados pelo trajeto. Alguns dias depois, a família de A.Z. viu com surpresa a chegada de uma série de multas, que, juntas, chegavam a aproximadamente R$ 3 mil. O fato somava-se a uma seqüência de atitudes inexplicáveis do rapaz, que dias antes havia pedido demissão no trabalho, no qual estava prestes a ser promovido, com a justificativa de que iria seguir carreira como jogador de futebol. Como não havia antecedente de bipolaridade na família de A.Z., que sofria de crises de depressão havia dez anos, a família não compreendeu o que estava acontecendo. Naquela mesma semana, no entanto, A.Z. teve uma nova crise e foi internado. No hospital, os médicos diagnosticaram que o rapaz sofria de transtorno afetivo bipolar. Com o tratamento adequado, A.Z. voltou ao convívio da família que, tempos depois, tentou a anulação das multas com atestado médico em mãos. O pai do rapaz foi informado pelas autoridades de trânsito de Campinas de que o pedido de anulação só poderia ser encaminhado após o pagamento da dívida e, no processo, A.Z. correria o risco de ter a carteira de motorista cassada. Sem garantias de que conseguiriam o reembolso, os pais do rapaz desistiram de levar adiante as ações para evitar o prejuízo.

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