Rapaz atropelado com amigo recebe alta

Caso foi há 45 dias; condutor responde em liberdade

Elvis Pereira e Marília Almeida, O Estadao de S.Paulo

31 Agosto 2009 | 00h00

Três meses após ser atropelado, Vinícius Elias Mauri, de 22 anos, recebeu alta ontem e voltou para casa, na Vila Sofia, zona sul de São Paulo. O rapaz estava internado desde 30 de maio. Na data, ele e Rafael Gomes de Freitas, seu amigo de infância, foram atingidos por um Corsa na Rua Dr. Ferreira Lopes, no Jardim Marajoara. Rafael não resistiu aos ferimentos e morreu. O motorista, o estudante Paulo César de Oliveira Carneiro, de 19 anos, responde ao processo em liberdade. Com traumatismo craniano e em estado gravíssimo, Vinícius permaneceu em coma por 45 dias. Acordado, reconheceu a família, e passou a mexer os braços. Orgulhosa da recuperação do filho, Irene Mauri atribuiu a melhora a três fatores: "Força de vontade, dedicação médica e muito amor. Ele é um herói porque lutou pela vida. Nós só acolhemos." Irene recebeu a notícia de que o filho teria alta há 15 dias. Deu início a uma reforma do apartamento, que precisou ter as portas, interruptores e banheiro adaptados. O rapaz locomove-se numa cadeira de rodas. Segundo a mãe, uma lesão no joelho esquerdo o impede de andar e ele precisará ser operado. "É o primeiro almoço em família no domingo depois do acidente", comemorou ela. "Agora, temos de acompanhar, fazer a fisioterapia. Acho que em casa a recuperação dele vai ser muito mais rápida." O vice-presidente da Academia Brasileira de Neurologia, Rubens Gagliardi, explicou que a pouca idade e o organismo saudável podem favorecer Vinícius. "Se o paciente não fuma e não é obeso a recuperação acelera em 30%", diz. O médico lembra que o traumatismo craniano pode não deixar sequelas. "A gente está feliz, mas queremos enfatizar que perdemos um amigo. Esperemos que a luta não termine aqui", disse Mariana Viana, de 21 anos, amiga de Vinícius e Rafael. "Quero justiça", ressaltou outro amigo de infância dos rapazes, Adalberto Calonego, de 24 anos. O acusado de atropelar os rapazes está solto. Após a Justiça revogar o mandado de prisão expedido contra ele, Paulo César Carneiro se apresentou à polícia e negou a intenção de atropelar. O estudante afirmou que no dia do acidente saíra da faculdade a fim de "extravasar", e combinou um programa com uma travesti, mas desistiu ao notar que era um homem. Nervosa, a travesti danificou o carro dele. Carneiro contou que, mais tarde, se assustou ao ver a travesti conversando com um motoqueiro. Acelerou, e teria apenas sentido o impacto.

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