Rapaz que estrangulou a mãe havia batido em colega

R.B.S. era um aluno disciplinado e dócil. Mas o adolescente apaixonado por artes marciais, que confessou ter estrangulado a mãe, Zeli Boeira de Abreu, de 34 anos, depois de uma discussão na madrugada de sábado, era motivo de preocupação em seu condomínio. Funcionários e moradores do Parque Residencial Brasil, no Morumbi, zona sul de São Paulo, contaram à polícia que o rapaz de 17 anos foi acusado do furto de uma bicicleta e de quebrar uma vidraça a tijoladas. Até um boletim de ocorrência foi feito na delegacia do bairro contra o jovem: ele é acusado de ameaçar e bater em um colega de escola."Ele sempre foi aqui uma pessoa educada e disciplinada. Jogava tênis e xadrez", disse Pierina Massa Ronco, diretora do Colégio Cristóvão Colombo, onde R.B.S. era aluno do 2º ano do ensino médio. Uma vez, pediu à diretora autorização para fazer uma demonstração de jiu-jítsu na escola. "Fiquei pensando e disse que não, pois não gosto de luta."Na escola, a notícia do crime surpreendeu os professores. "Todos o viam como dócil", disse. As duas irmãs, de 5 e 9 anos, estudam no mesmo colégio e não foram hoje às aulas.O adolescente não estava entre os melhores alunos de sua turma. Aliás, foi seu fraco desempenho na escola o motivo da discussão com a mãe, Zeli, que o deixara de castigo. Zeli havia saído de casa na sexta-feira à noite e retornado na madrugada de sábado. R. disse que a mãe o atacou com uma faca. Os dois lutaram e o jovem aplicou um golpe com as pernas para imobilizar a mãe, antes de a estrangular com as mãos.AgressãoR. dava aulas de jiu-jítsu para amigos. Morava no Edifício Manaus, um dos 18 que formam o condomínio. Recentemente, pediu autorização para montar uma academia de jiu-jítsu no conjunto, que foi negada.No dia 25 de janeiro de 2005, a segurança do lugar registrou que R. destruiu uma vidraça do prédio a tijoladas. No fim do ano passado, ele foi apontado como suspeito do furto de uma bicicleta no prédio. Em abril deste ano, a mãe de A., de 16 anos, procurou o 89º Distrito para registrar boletim de ocorrência por agressão. Ela contou que R. havia batido no filho no mês anterior e continuava a ameaçá-lo.DepoimentoR. foi ouvido hoje na Vara da Infância e da Juventude da capital. O teor do depoimento é sigiloso. A Justiça resolveu mantê-lo internado na Unidade de Atendimento Inicial (UAI) da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) do Brás por 45 dias, até que seja tomada a decisão sobre o caso.R. pode ficar internado até por três anos por causa do crime. Por enquanto, ele está separado dos outros internos, pois os adolescentes infratores repudiam quem mata a mãe, um crime tão malvisto entre o internos quanto o estupro.

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