Rapaz que matou a avó e empregada é condenado a 34 anos

Por cinco votos a dois, o 1º Tribunal do Júri da Capital condenou nesta sexta-feira o ex-estudante de Direito Gustavo de Macedo Pereira Napolitano, 25 anos, que em novembro de 2002 assassinou a avó Vera Kuhn de Macedo Pereira, de 73 anos, e empregada Cleide Ferreira da Silva, 20 anos. A juíza Patrícia Álvares Cruz, presidente do júri, sentenciou o réu a uma pena de 34 anos e 8 meses de prisão (18 anos e 8 meses pela morte de Vera e 16 anos pela morte de Cleide), a ser cumprida em regime integralmente fechado. A defesa disse que vai recorrer da decisão porque os jurados manifestaram-se contrários às provas dos autos.Os jurados - cinco mulheres e dois homens - refutaram o laudo psiquiátrico do Instituto Médico Legal (IML), que atestava ser o réu portador de transtornos mentais e de comportamento por causa do uso de cocaína e que, no momento dos fatos, era incapaz de entender o que fazia. O exame também atestava que, por causa do uso da droga, o réu sofreu ?amnésia lacunar?. Ou seja, os peritos afirmaram que, além de não saber o que fazia, o réu era incapaz de se lembrar do que tinha feito porque a cena do crime teria sido apagada de sua memória.Esse foi o ponto mais trabalhado pela acusação. Para convencer os jurados de que o laudo que apontava Napolitano como inimputável (impossível de ser punido) era ?falho e equivocado?, o promotor Hidejalma Muccio explorou as contradições do interrogatório do réu e das testemunhas de defesa. Isso porque, no dia em que foi preso na entrada da favela da Rua Mauro, poucas horas após o crime, Napolitano apresentou duas versões. Disse que traficantes tinham cometido os crimes por causa de um acerto de contas. Depois, pressionado pelo delegado Luiz Antônio Pinheiro, que observou os arranhões feitos pela empregada em seu corpo e pelos vestígios de sangue e vômito em seus pés, confessou detalhadamente os crimes sem a presença de advogados.Em seu interrogatório na quinta-feira, na primeira hora do julgamento, Napolitano negou as declarações. Disse que não se lembrava de nada além de ter consumido os primeiros papelotes de cocaína, da mesma maneira que fez quando foi ouvido novamente na polícia e interrogado pela Justiça na primeira fase do processo. O depoimento de sua madrinha, Luciana Velasco, contribuiu para enfraquecer a tese da amnésia. ?Eu o visitei três dias depois na delegacia. Ele chorava muito, deitou no meu colo e contou o que tinha feito. Que tinha matado a avó, depois trocado o carro por droga, que achava que tinha feito uma coisa ruim... Disse que a Cleide começou a gritar com ele e por isso a matou.?

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