Razão da greve: participação nos resultados

Funcionários reivindicam que montante seja dividido igualmente

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2004 | 00h00

O motivo da greve dos metroviários é praticamente desconhecido dos usuários e da população que sofreu com as conseqüências da paralisação que durou dois dias. O principal entrave foi o valor do pagamento do plano de participação nos resultados da Companhia do Metrô, atrelado à proporcionalidade do cargo ocupado e metas de produtividade. A categoria não aceitou a proposta do governo estadual de pagar R$ 4 milhões para cargos comissionados e de chefia e R$ 20 milhões para o restante dos funcionários."Daria cerca de R$ 8 mil para chefias e comissionados, enquanto o resto, 7 mil pessoas, ficaria com algo em torno de R$ 2,5 mil. Recebemos essa proposta antes da assembléia da terça-feira. E a categoria decidiu não mais negociar", disse Eduardo Alves Pacheco, diretor jurídico do sindicato.O presidente da entidade, Flávio Godoi, queria negociar a proporcionalidade no pagamento da participação dos resultados, uma vez que desde 1996 o Metrô paga o plano de forma igual a todos."Os metroviários são contra a proporcionalidade por entender que, independentemente das funções, todos contribuem igualmente para a conquista de bons resultados. Cada um dos funcionários cumpre um papel diferente e determinante para o funcionamento e manutenção da prestação de serviços", defendeu Pacheco. O secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, informou por meio de sua assessoria que a terceira proposta citada pelo sindicato não existiu.Outra mudança efetivada neste ano pelo governo do Estado - o formato do ano fiscal para consolidação dos resultados financeiros - também mexeu com a negociação. Nos últimos dez anos, o ano fiscal começava em agosto e terminava em julho. Agora, a administração estadual adotou o ano fiscal de janeiro a dezembro. A diferença de 2006 - de agosto a dezembro - foi paga em fevereiro. Cada um recebeu R$ 1.269. "Liquidado esse período, a convenção coletiva de trabalho nos dá o direito de pedir a antecipação em agosto. Foi o que fizemos. O Metrô deveria ter apresentado ao sindicato, em 15 de abril, a proposta da participação nos resultados. Está previsto no planejamento estratégico da empresa e não foi cumprido", explicou Pacheco. RESULTADOSOs dados sobre resultados financeiros do Metrô são difíceis de serem obtidos. Apesar de serem públicos, a empresa não repassa os números. O Sindicato dos Metroviários, interessado na informação, informou desconhecer as cifras. Relatório de 2005 mostra que o resultado econômico naquele ano foi de R$ 958,2 milhões.Para justificar a reivindicação de um salário e meio de participação nos resultados, o sindicato alegou aumento de trabalho para o mesmo número de funcionários em exercício. Hoje são 54 estações em funcionamento na capital, contra 52 em 2005.

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