Reajuste pode ficar abaixo da inflação de 2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva corre o risco de encerrar seus oito anos de mandato dando uma "tungada" nos trabalhadores. O salário mínimo de R$ 540, valor que ele confirmou ontem, corresponderá a um reajuste de 5,88% sobre os atuais R$ 510. No entanto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para corrigir o mínimo e as aposentadorias, já acumulava 5,83% de janeiro a novembro e pode chegar a 6,5% no ano.

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

Caso o INPC encerre o ano em 6,5%, o mínimo terá uma perda de 0,6% em relação à inflação - o pior resultado em 15 anos, segundo levantamento da consultoria LCA. Em 1997, o piso salarial teve aumento real (acima da inflação) de apenas 0,2%. Outro ano de cofres fechados foi 2003, o primeiro da era Lula: aumento real de apenas 0,5%. Nos demais anos, porém, foram concedidos reajustes generosos. Em 2010, por exemplo, os trabalhadores tiveram ganho de 5,9% acima da inflação. Em 2006, foram 12,9%.

Além de não repor a inflação, o mínimo de 2011 passou por cima da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Ela determinava que governo e centrais sindicais negociassem o aumento real a ser concedido ao mínimo e às aposentadorias acima do mínimo. O governo chegou a abrir diálogo com os sindicalistas, mas tudo foi colocado em banho-maria depois que a presidente eleita, Dilma Rousseff, deixou claro que não cederia nada além dos R$ 540. Ela não aceitou discutir nenhuma contraproposta para apresentar às centrais.

O valor do mínimo foi o primeiro grande teste sobre a disposição de Dilma de promover o ajuste nas contas do governo, como foi prometido por sua equipe econômica. Para os economistas, é um sinal que ela vai, de fato, conter as despesas ao menos no primeiro ano de seu governo Lula também pôs o pé no freio em 2003.

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