Reale anuncia medidas de combate ao crime

O ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, anunciou hoje, na cerimônia de comemoração dos dois anos do Plano Nacional de Segurança Pública, o início das operações, em 30 dias, dos plantões sociais nas delegacias, como forma de garantir a presença do Estado nas periferias das cidades. Outra medida para tentar ajudar a combater a criminalidade é a criação de uma rede de informações reunindo todos os dados dos boletins de ocorrência das polícias Militar e Civil dos estados e da Polícia Federal.Mas a criação da Polícia Federal Preventiva, que seria o braço fardado da PF, não foi anunciada, como chegou a ser cogitado. Problemas políticos, financeiros e jurídicos impediram a concretização da medida que, de qualquer forma, só resultaria em mais homens na rua, no início do ano que vem.Desde a criação do Plano, de acordo com o governo federal, foram destinados para as áreas de segurança dos estados cerca de R$ 700 milhões. Em 2000, foram liberados para o setor R$ 251,62 milhões de verbas federais e R$ 41,27 milhões de contrapartida dos governadores, totalizando R$ 292,89 milhões. Em 2001, o montante ficou em R$ 387 milhões. Para este ano, a previsão é de repasse de R$ 338 milhões mas o governo promete tentar chegar a R$ 402 milhões, com a devolução de recursos que foram tirados do orçamento pelos parlamentares. No entanto, nesta primeira etapa estão sendo liberados apenas cerca de R$ 160 milhões. O restante, segundo ele, será repassado a partir de setembro. O estado que mais recebeu verbas neste período foi São Paulo - R$ 30 milhões em 2000 e R$ 44,77 milhões em 2001. Em segundo lugar ficou o Rio de Janeiro, com R$ 20 milhões em 2000 e R$ 27, 27 milhões em 2001.VerbasO secretário nacional de Segurança Pública, Cláudio Tucci, que se reuniu ontem com todos os secretários de segurança pública, disse que o governo federal não repassa recursos para os governadores usarem em projetos sociais em benefício dos policiais. As verbas foram usadas no reaparelhamento da polícia comunitária, treinamento, aumento do policiamento ostensivo, compra de equipamentos para as polícias e formação de uma rede de inteligência. Cláudio Tucci disse ainda que o Ministério da Justiça não tem como controlar o uso dos recursos pelos estados. Reale prometeu inaugurar ainda no governo Fernando Henrique uma central de mandados de prisão. Ele defendeu a necessidade da criação dos plantões sociais nas delegacias, sob a alegação de que 70% das ocorrências não são policiais e poderiam ser resolvidas com um atendimento feito por psicólogos, assistentes sociais ou estagiários, porque se trata, por exemplo, de brigas em família e de vizinhos. Esse apoio de pessoal, a princípio, será dado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que assinou convênio com o governo intitulado "indústria da paz".

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