Prefeitura Municipal de Aquidauana
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Realidade virtual ajuda a incentivar a vacinação infantil contra covid-19 em Aquidauana

Pesquisador de 23 anos no Mato Grosso do Sul leva iniciativa para a rede municipal e quer expandir uso do equipamento

Júnior Moreira Bordalo, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2022 | 05h00

Iniciada há apenas um mês no Brasil, a campanha nacional de vacinação contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos poderá ganhar um reforço tecnológico. Pelo menos é o que deseja o estudante de engenharia da computação Luiz Fernando da Silva Borges, de 23 anos, com seu projeto-piloto que recorre a óculos de realidade virtual para diminuir o medo dos pequenos e a insegurança dos pais no momento da imunização. A intenção é que a iniciativa seja usada gratuitamente em todo o País por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O projeto de Borges teve início em sua cidade natal, Aquidauana (MS), e contou com o apoio da prefeitura. Ao todo, 20 crianças, entre 5 e 11 anos, receberam as doses de proteção com o auxílio tecnológico. Ele reforçou que todos os pais apoiaram a decisão dos filhos em participar e listou três motivos de o experimento ser uma alternativa para atrair o público infantil. 

“Primeiro: a retirada da questão do desconforto inicial, o medo. Segundo: a atratividade. As crianças já estão ligadas nesse universo do metaverso (nome dado ao mundo virtual que tenta replicar a realidade por dispositivos digitais); elas querem participar. Terceiro, pesquisas apontam que a maior parte dos efeitos colaterais sentidos após aplicação da agulha também vieram de placebo, como soro fisiológico. São causados pelo temor daquele momento. Então, a intenção é reduzir também o desconforto pós-vacinação”, explicou Borges ao Estadão.

Já utilizado por alguns laboratórios particulares e hospitais para realização de exames e alguns tratamentos, o óculos de realidade virtual é uma tecnologia de interface que simula um ambiente virtual, usando seus sentidos conforme a imagem que se está vendo. 

Animação

A proposta funciona do seguinte modo: ao pôr o equipamento, a criança verá uma fada preparando uma armadura para se vestir no mundo virtual. A personagem tem ombreira e alguns adereços mágicos. Enquanto isso, o profissional de saúde passa o algodão com álcool no braço, seguido da vacina e o esparadrapo, de forma sincronizada com a animação. Assim, em vez do algodão com álcool e agulha, a criança enxerga a “joia de gelo” e “a pedra de fogo”, respectivamente. É uma indução ao cérebro. “Algumas relataram sentir o braço esquentando por causa do desenho”, garantiu. A animação da fada foi doada pela MASSFAR Realidade Aumentada e Virtual.

Enfermeira coordenadora do programa de imunização da cidade, Camila Mayer contou que a iniciativa foi adotada de imediato em duas unidades de saúde que já estavam realizando a vacinação infantil e reforçou o interesse da secretaria em utilizar o método em breve em todos os postos. “Estamos dependendo dos trâmites e questões específicas, como a compra dos óculos. Ainda não temos um prazo oficial.”

O valor do modelo usado no projeto-piloto varia entre R$ 70 e R$ 100 e necessita de troca anual da borracha de vedação. “Se a cidade tiver 20 postos de saúde, o que é R$ 2 mil para uma prefeitura?”, indagou o criador da proposta. 

Segundo a coordenadora Camila, até agora “a aceitação foi maravilhosa”. “As crianças acham o máximo e realmente não se queixam da dor da picada, pelo que estamos observando. O projeto funciona e o lúdico é bem legal. As crianças ficam ansiosas para usar o óculos de realidade virtual.” 

Sem gritar

Breno Henrique, de 10 anos, foi vacinado contra a covid no Centro de Saúde João André Madsen – um dos locais escolhidos para o projeto. Diagnosticado com bronquite, desde pequeno ele passou por algumas cirurgias. “Tem muito medo de agulha e vai sempre ao hospital”, explicou sua mãe, a agente comunitária de saúde Edileia Viegas dos Santos. 

Ela conta que “foi maravilhoso demais” ver o filho tendo uma experiência menos dolorosa ao receber a aplicação com o óculos de realidade virtual. “Ele não disse um ‘ah’. Geralmente tenho de abraçar forte, com a técnica dizendo como fazer. É sempre uma preparação, pois ele grita muito”, lembrou.

Ao ser questionada sobre a reação dele, reproduziu, aos risos, a fala do pequeno Breno: “Você viu, mãe? Eu nem fiz escândalo”. “Foi um alívio muito grande. Tanto pelos óculos quanto pela imunização no meu filho nesse contexto de pandemia”, disse.

Criador do projeto se voluntaria para dar treinamento gratuito

Luiz Fernando Borges, criador do projeto, se colocou à disposição de forma voluntária e gratuita para treinar — de forma presencial e/ou online — equipes de prefeituras e governos interessados. Para isso, ele oferecerá o protocolo de aplicação do equipamento. “Pretendo disponibilizar como um eBook em breve”, afirma o estudante. O custo de implementação ficará restrito às compras dos óculos.

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