Rebelados de Sertãozinho denunciam agressões

A rebelião de presos, na Cadeia de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, demorou pouco mais de sete horas para terminar, ontem, e não teve feridos. O motim começou às 16 horas, com os detentos fazendo dois carceiros como reféns. Eles alegaram maus-tratos durante o Natal e reivindicaram melhoria na alimentação, além de reclamarem da superlotação: a cadeia tem capacidade para 25 pessoas e abriga 63 presos. A negociação e a liberação dos reféns terminou pouco mais das 23 horas, sem concessões aos presos que não a garantia de não serem transferidos de local e não sofrer represálias.Armados com estiletes, os detentos renderam os carcereiros Aldemiro Barbosa e Ulisses das Neves Rosa. A PM imediatamente isolou o prédio, que funciona anexo à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), para evitar que parentes dos presos se aproximassem e também como estratégia para invadir o local, caso fosse necessário. O clima ficou tenso e a negociação para o fim da rebelião foi feita pelo juiz-corregedor Sílvio Ribeiro de Souza Neto e o diretor da cadeia, Armando Luís Acquaro.Os presos também reivindicavam duas visitas semanais dos parentes e mais tempo de duração do banho de sol, além de um telefone celular para falar com os parentes durante a rebelião. Mas nada conseguiram. O carcereiro Rosa foi libertado às 22 horas e pouco mais de uma hora depois foi a vez de Barbosa. Ontem, o juiz Souza Neto ouviu os depoimentos dos presos e recebeu uma comissão de detentos, em audiência, no Fórum.Além da reclamação de que foram agredidos no Natal - um agente policial disse que, devido à bagunça de alguns presos naquele dia, foi feita apenas uma revista policial minuciosa nas celas, mas nada foi encontrado -, a rebelião também teria sido um protesto, motivado pela divulgação de nomes de dois presos citados em três cartas que mencionavam um possível resgate, que ocorreria ontem, durante o trajeto que levaria um deles ao Pronto-Socorro para receber curativos. Dois homens foram detidos com as cartas, drogas e armas, em Pontal, na noite anteior. Isso alertou a polícia de Sertãozinho, que investiga o caso.

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