Rebelados em Martinópolis não têm lista de reivindicação

A rebelião instalada na tarde desta quarta-feira no presídio de Martinópolis resulta num impasse: os líderes não têm uma lista de reivindicação, já que iniciaram o motim a partir da descoberta de um plano de fuga em massa. Agentes penitenciários descobriram um buraco num dos raios, por onde os presos pretendiam fugir. Diante da frustração do plano os presos fizeram 34 pessoas reféns, funcionários do presídio e dois advogados. As negociações iniciadas no final da tarde foram interrompidas por volta das 22h e somente serão retomadas amanhã cedo. Existem informações, ainda não confirmadas pela diretoria do presídio, sobre os cortes de luz e da água para forçar os presos a cederem. É forte o policiamento do lado externo, feito por policiais militares, incluindo rodoviários e bombeiros. Um repórter conta que conseguiu falar com dois presos por telefone celular e deles recebeu a informação de que não suportam a superlotação e por isso queriam fugir. O presídio fica à margem da rodovia Homéro Severo Lins que liga Martinópolis e Rancharia, municípios situados na região de Presidente Prudente. Tem capacidade aproximada para 800 presos e está com 350 a mais. Os números constam do site da Secretaria de Administração Penitenciária. Neste presídio encontram-se membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) que no corpo da facção criminosa são considerados membros, "os que fazem o serviço". Promotores públicos, membros da pastoral carcerária e representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) acompanham o caso e retomam as conversações na manhã desta quinta-feira, com a expectativa de se estabelecer um canal de negociação com o qual os advogados reféns podem contribuir, já que prestam serviços para alguns sentenciados.

Agencia Estado,

08 Fevereiro 2006 | 23h56

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