Rebelados se rendem em Bangu; 12 fugitivos recapturados

Depois de 33 horas, terminou nesta terça-feira à tarde a rebelião de presos da Casa de Custódia Pedro Melo, no Complexo Penitenciário de Bangu. Os seis policiais militares que ainda eram mantidos reféns foram libertados sem ferimentos às 15h30, e os presos se renderam, mesmo sem ter todas reivindicações atendidas.Doze presos que haviam fugido nesta segunda-feira foram recapturados. O motim foi o mais longo dosúltimos nove meses, quando houve 12 rebeliões no complexo. Segundo o comandante-geral da PM, coronel Renato Hottz, os presos ? que estavamsem luz, água e comida ? foram vencidos pelo cansaço. Ele disse ainda que o motimlevou tanto tempo para terminar porque não havia um representante que falasse emnome de todos.Além disso, os rebelados não tinham uma lista de exigências definida. A demora se deveu ainda ao fato de os presos quererem negociar sem antes liberar os reféns, e a PM exigir que os guardas fossem libertados primeiro.Hottz, que assumiu o posto no início do mês, disse que, a partir de agora, a PM nãocederá em caso de rebeliões. ?É inadmissível que os presos queiram dar as cartas. Nãohá possibilidade de negociar sem antes de liberar os reféns. Agora vai ser sempreassim.?O comandante afirmou que os detentos não tiveram a intenção de fazer uma rebelião. O que houve, segundo ele, foi uma tentativa de fuga em massa. O número exato de fugitivos não havia sido divulgado até o início da noite desta terça-feira,porque os policiais ainda faziam a recontagem de presos. O trabalho foi acompanhado por representantes da Defensoria Pública e da comissão de Direitos Humanos daAssembléia Legislativa do Rio (Alerj) ? uma exigência dos presos.A PM também não divulgou a quantidade de armas que estavam sob poder dos presos. O único armamento confirmado foi uma pistola. Os presos pediram a transferência dos já condenados para presídios ? segundo eles, metade da carceragem da casa de custódia, onde só devem ficar pessoas queaguardam julgamento, é ocupada por presos já condenados.Queriam também a troca da direção da casa e da empresa que fornece comida para o presídio. Outrareivindicação foi a liberação das visitas nos fins de semana. Os internos pediam tambéma presença dos jornalistas ? que acompanhavam a movimentação na Estrada Guandu do Sena, em frente ao complexo ?, só liberada com a rendição.Ao fim do motim, quando os jornalistas puderam entrar, os presos disseram que tomaram os guardas como reféns para garantir que a PM não fizesse um massacre na cadeia. Eles disseram ainda que somente a sala onde funcionaria a Defensoria Pública foi destruída durante a rebelião.?Quebramos porque não funciona?, disse um dos detentos.Marcelo Freixo, presidente do Conselho da Comunidade e membro da comissão da Alerj, que acompanhou as negociações nos dois dias, disse que os presos e os reféns passavam bem e que ?tudoterminou da melhor forma possível.?A casa de custódia tem capacidade para 500pessoas e abriga 580 atualmente. A rebelião começou por volta das 6h30 desta segunda-feira, quando o café da manhã era servido. Os presos dominaram os guardas de plantão e foram para o telhado da unidade. Sete PMs foram mantidos reféns. Um deles foi liberado logo no início do dia, depois que a polícia levou um preso ferido para o hospital.Durante todo o motim, parentes ficaram do lado de fora aguardando notícias. Mulheres de presos falavam por telefone com os rebelados e, exaltadas, tentaram obstruir o tráfego de veículos na Estrada Guandu do Sena. A PM interveio e foi hostilizada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.