Rebeldes do PMDB se unem para tomar o poder de Sarney e Renan

Antes reduzida a três rebeldes geralmente ignorados pela cúpula do PMDB no Senado - Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Mão Santa (PI), que não foi reeleito -, a bancada dos contrariados da sigla ganhou adeptos com a posse do novo Congresso e não parou de crescer. Ela se amplia a cada dia, por conta de questões regionais e dos problemas na relação com o governo e com o PT, embora o alvo principal seja a cúpula do Senado.

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

Hoje, os insatisfeitos e independentes são majoritários no PMDB. Somam uma dezena entre os 18 senadores peemedebistas, o que pode complicar a vida do Palácio do Planalto, mesmo estando a mira voltada para a dupla que comanda a Casa e a liderança do partido: José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). A atuação desse grupo deve ficar mais clara a partir da votação do Código Florestal, que terá como relator no Senado o independente Luiz Henrique da Silveira (SC).

Luiz Henrique fez questão de mostrar a que veio logo na chegada, sinalizando que daria trabalho a Sarney. Na segunda semana de mandato, ele organizou uma reunião dos velhos companheiros de MDB que já vinham manifestando desconforto com a crise ética que desgastara a imagem do Senado e a liderança política de Renan e Sarney.

Participaram desse primeiro encontro outros quatro senadores "históricos" do PMDB: Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE), Roberto Requião (PR) e Casildo Maldaner (SC), que segue a liderança de Luiz Henrique no Estado. Começaram aí as críticas à dupla e os planos de reunir uma frente para tomar-lhes o poder no partido.

Reação. Para tentar abortar esse movimento, a Comissão Executiva nacional do partido reagiu. Menos de um mês depois da reunião dos históricos, prorrogou por mais 12 meses os mandatos das atuais direções nacional e estaduais, que venceria no fim do ano. O grupo dos contrariados acusou o golpe. Os atuais dirigentes é que vão comandar as eleições municipais em 2012, o que está sendo interpretado por eles como uma forma de garantir o atrelamento do PMDB ao PT.

A frase síntese das queixas dos contrariados é de que, na bancada do peemedebista, são 14 senadores trabalhando para apenas quatro. A ironia faz referência ao quarteto que detém os postos de poder: o senador Valdir Raupp (RO), que assumiu a presidência do partido, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), além de Renan e Sarney.

Isto ficou claro no enfrentamento direto entre o senador Eduardo Braga (AM) e Renan, em reunião da bancada. "Quero saber por que só o senhor e o Sarney têm tudo aqui na bancada", questionou o amazonense, que já vinha reclamando nos bastidores que não serviria de massa de manobra para as reivindicações da dupla junto ao governo.

A temperatura voltou a subir na última reunião da Mesa Diretora, na semana passada, quando Eunício Oliveira (CE) reclamou da falta de uma sala para receber as autoridades que são sabatinadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por ele. "Então o senhor vai reclamar ao Niemeyer", sugeriu Sarney, ao que Eunício retrucou: "Sou seu eleitor e me sinto no direito de cobrar isto do presidente do Senado".

Para complicar mais a vida de Sarney, o relator do projeto de reforma administrativa do Senado também é um dos contrariados com os desmandos na Casa. Sarney foi contra, mas a CCJ criou uma subcomissão especial para tratar da reforma e Ricardo Ferraço (PMDB-ES) foi escalado para relatar a proposta.

Perda de poder. Além disso, os principais líderes do PMDB avaliam que o partido só perdeu poder para o PT no governo Dilma. A composição entre as duas legendas na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) - vendida na base aliada como solução para pacificar a relação desgastada entre o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), e o ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha - não agradou a bancada.

No sistema elétrico, que sempre foi tido como feudo do PMDB, a situação também não é boa. Primeiro, perderam a presidência da Eletrobrás. Depois, o comando de Furnas Centrais Elétricas. Apesar dos apelos para acolher ali o candidato derrotado ao governo de Minas, Hélio Costa, Dilma fez questão de escolher o técnico Flávio Decat.

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