Rebelião de menores faz oito reféns durante três horas

Dezessete dos 21 menores infratores do Centro de Integração do Adolescente (CIA), no bairro Horto, Zona Leste de Belo Horizonte, mantiveram oito pessoas - seis monitores e duas professoras - como reféns por três horas, nesta terça-feira.Armados com estiletes e facas artesanais, os menores ameaçavam matar os reféns caso não fossem atendidas suas reivindicações, entre elas a compra de um aparelho de televisão e a demissão do atual diretor da instituição, Mário Lima, a quem acusaram de maus-tratos.A rebelião começou por volta das 10h, durante uma palestra. Segundo a secretária de Justiça de Minas, Angela Pace, alguns dos menores estavam embriagados por beber álcool utilizado na limpeza do CIA. O prédio foi cercado por dezenas de policiais militares, mas não houve invasão ou confronto. No início da tarde, depois de exigirem a presença de promotores do Juizado dos Menores e representantes da Secretaria de Justiça, os rebelados libertaram os reféns, sem ferimentos.Eles conseguiram garantias de que serão transferidos, em breve, para outra unidade de internação de adolescentes, que está sendo construída em Belo Horizonte. A secretária Angela Pace não concordou, no entanto, em demitir o diretor do CIA.De acordo com ela, Mário Lima tem feito um bom trabalho de reeducação dos adolescentes e justamente por isso eles teriam se rebelado. "Estes menores são usuários de drogas, infratores, e precisam de limites", disse.Ficou acertado que Lima passará a dividir a direção com Lilian Lemos, superintendente de reeducação ao menor infrator da Secretaria. A partir desta quarta-feira, os menores também poderão expor suas queixas, individualemente, ao Juizado de Menores.

Agencia Estado,

18 de setembro de 2001 | 17h38

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