Rebelião em cadeia de Manaus acaba após quase 9 horas

Autoridades voltaram atrás e disseram que três presos, e não quatro, morreram; os seis reféns estão bem

Liège Albuquerque, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2010 | 18h02

MANAUS - Após quase nove horas, acabou por volta das 17h30 (19h30 de Brasília) a rebelião que acontecia desde a manhã desta quarta-feira, 10, na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus. A Secretária de Justiça do Amazonas e a polícia voltaram atrás e informaram que três presos, e não quatro, acabaram mortos pelos próprios companheiros no local. O saldo anterior havia sido dado pelos amotinados, mas, com o fim da rebelião, só três mortes foram confirmadas.

 

Os reféns libertados estão bem. Os presos mantiveram seis agentes penitenciários e assistentes sociais reféns desde o início da rebelião. Apenas uma refém havia sido solta cerca de uma hora antes do fim da rebelião, em troca da ligação de água e luz que haviam sido cortadas no começo do motim.

 

O presídio está superlotado: tem a capacidade para 200 presos, mas atualmente há 828, sendo a maioria de presos provisórios. Segundo o comandante da polícia militar, coronel Dan Câmara, eram cerca de 200 os rebelados. Os que não estavam na rebelião foram enfileirados sentados em um pátio do presídio, cercados por policiais. Os presos estavam no pátio apenas de cuecas ou shorts por terem tirado as roupas para a revista.

 

De acordo com o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Carlos Lélio Lauria, um documento assinado por ele e outras autoridades foi entregue aos presos com os compromissos para melhorar as condições na prisão. "São compromissos em relação à melhoria no setor jurídico da cadeia, alimentação mais adequada, revisão de processos, atendimento médico, infraestrutura das celas e providências em relação ao tratamento dado pela polícia militar a seus familiares", disse. Quanto à superlotação, o secretário afirmou que em janeiro uma prisão com 450 vagas deve ser inaugurada em Manaus.

 

No início da rebelião, os bombeiros foram acionados por conta do incêndio num dos pavilhões, causado pelo fogo em colchões. Os presos teriam destruído as celas com pedaços de ferro das grades. O trânsito nos arredores do presídio, que fica numa avenida de grande fluxo de veículos no centro, ficou interditado desde o início da rebelião. Como a avenida do presídio, a 7 de Setembro, é de mão única, os carros foram desviados para a Rua Duque de Caxias, com duas vias.

 

Atualizado às 19h50

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