Rebelião em Manaus pode ter sido plano do PCC ou vingança

Um plano arquitetado pelos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) ou apenas vingança pela morte de um companheiro. Essas são as duas alternativas que estão sendo investigadas pela Secretária de Justiça e Cidadania do Amazonas para esclarecer o banho de sangue conseqüente das 13 mortes ocorridas no sábado durante a rebelião de presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus.A direção do presídio continua defendendo a versão de que tudo não passou de vingança pela morte de André Pereira de Oliveira, ocorrida na sexta-feira em condições no mínimo suspeitas. Ele teria sido estuprado e espancado até a morte pelos guardas penitenciários, entre eles José Valente Gama, único agente morto durante a rebelião de sábado.As autoridades, no entanto, ainda não conseguem explicar a barbaridade nas mortes registrada durante a rebelião. Policiais que entraram na penitenciária após o fim do conflito estão até agora impressionados com o que viram. Havia sangue por todo o lado. Um dos mortos estava com quatro dedos da mão direita decepados e enfiados na própria boca. Outros apresentavam dezenas de perfurações por todo o corpo. "Em uma das celas, havia um lago de sangue. Era como se alguém tivesse sido sangrado no local", disse o deputado Mário Frota, presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Amazonas, que acompanhou de perto as negociações com os rebelados. Para alguns parentes dos presos mortos, porém, o que ocorreu no sábado já era previsto. Muitos exibem cartas de familiares alertando sobre o plano que estava sendo arquitetado pelas lideranças carcerárias, com a conivência dos agentes penitenciários, para eliminar alguns detentos considerados rebeldes às leis internas do sistema.Mães e esposas das vítimas garantem que os presos já sabiam há mais de dois meses que estavam na lista dos que iriam morrer em breve. Segundo os parentes, para sobreviver na Anísio Jobim só existem duas formas: ter muito dinheiro ou se sujeitar às ordens dos líderes e agentes penitenciários. A possibilidade de existir um esquema de favorecimento na Penitenciária Anísio Jobim está sendo investigada como prioritária pelo secretário de Justiça e Cidadania, Felix Valois. A presença de armas, bebidas e drogas no interior do presídio durante a rebelião revoltou o secretário. "Enquanto isso acontecer, fica impossível administrar qualquer sistema carcerário", declarou.

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