Rebelião em Minas termina com um preso morto

Uma briga entre grupos rivais da Penitenciária José Maria Alckmin, em Ribeirão das Neves, Grande Belo Horizonte, deu início a uma rebelião que envolveu cerca de 700 presos no começo da noite deste domingo. Dois detentos foram atingidos por tiros. Um deles morreu no local. No fim da noite, os penitenciários foram convencidos a terminarem o motim. O outro foi ferido no braço esquerdo. Um enfermeiro que entrou na penitenciária para dar atendimento ao preso ferido foi tomado como refém. Durante a rebelião, familiares dos presos visitavam a penitenciária por conta do Dia dos Pais.De acordo com a Polícia Militar, o detento Eduardo dos Santos, 28 anos, que cumpre pena por tráfico de drogas, teria disparado uma rajada contra um grupo rival, em que estavam os presos Charles Júnior de Almeida Lopes, 33 anos, e Leonel Cândido de Almeida Andrade. Charles foi atingido no peito e morreu no local, onde permaneceu até o final da noite. A perícia foi impedida pelos presos de entrar na penitenciária.Leonel também foi atingido. O tiro pegou no seu braço esquerdo. Os presos permitiram a presença de um enfermeiro, identificado apenas como Rui, para cuidar do ferimento. Mas, assim que chegou ao pátio da penitenciária, o enfermeiro foi mantido como refém, sendo libertado cerca de duas horas depois. Após a libertação do refém, o detento ferido também conseguiu permissão para ser transferido para um pronto-socorro, para ser atendido.O detento Eduardo dos Santos se entregou ao diretor do presídio, o coronel Isaac Pereira, dizendo-se autor dos disparos. O preso, após entregar um revólver, calibre 38, vazio, foi encaminhado para prestar depoimento na delegacia da região. Conforme a polícia, diante de informações de outros presos, os disparos saíram de uma arma automática, em forma de rajadas. A polícia cercou todo o presídio para evitar fugas e tentar com que os rebelados voltassem para as suas celas. A situação só ficou controlada no final da noite, sem a necessidade de uma intervenção da polícia. Os detentos que ficaram espalhados pelo pátio e pelos corredores que dão acesso às celas foram convencidos pela direção a terminar o motim. A suposta arma usada no crime não foi encontrada. No momento da rebelião, 20 carcereiros de plantão mantinham o controle da penitenciária.

Agencia Estado,

11 de agosto de 2002 | 23h04

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