Rebelião na Febem foi "atípica", diz governo

Para o governo do Estado de São Paulo, a rebelião de hoje em Franco da Rocha, na região metropolitana, foi atípica, sem ligação com os problemas históricos da Febem. Tanto o presidente da Febem, Saulo Castro de Abreu Filho, como o secretário de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, atribuíram o episódio a um fator externo: a tentativa de resgate dos internos por homens de fora da unidade.Dez internos adultos foram autuados em flagrante por homicídio, lesão corporal e quadrilha urbana, de acordo com Petrelluzzi. "Quem faz violência são esses que mataram esse funcionário", disse o secretário, justificando os tiros a queima roupa de bala de borracha nos internos. "Como vocês acham que a polícia entra quando já tem uma pessoa morta lá dentro?" Segundo o comandante-geral da PM, Rui César Melo, as balas de borracha só foram disparadas porque havia um refém sendo "espetado" por uma faca.Segundo as autoridades, todas as negociações possíveis foram feitas antes da entrada do Comando de Policiamento de Choque. Abreu Filho afirmou que os internos não tinham reivindicações, pelo caráter ocasional da rebelião. De acordo com Melo, também inexistiam líderes."Não estamos lidando, principalmente nessa unidade da Febem, com anjinhos de cara suja", disse Petrelluzzi. "São menores de 18 anos, mas reincidentes graves." O secretário considerou uma "inversão" a afirmação de que a polícia agiu com violência.Ele rejeitou a hipótese de vínculo da rebelião com denúncias de tortura. "O que ocorreu não tem nada a ver com problemas internos, direitos humanos, maus tratos. Foi uma tentativa de resgate."O presidente da Febem disse que a agressão a defensores dos direitos humanos por monitores, se confirmada, será investigada. Ele disse não acreditar em greve de funcionários por causa da morte e dos feridos.Abreu Filho diz que informará nesta segunda-feira se os dois monitores atirados do telhado tiveram conflitos com os internos, o que pode indicar motivações anteriores ao resgate.

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