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Rebelião no PR chega ao ponto crítico

A rebelião na Penitenciária Central do Estado do Paraná (PCE), em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, completou cinco dias nesta segunda-feira e chegou a seu ponto mais crítico, com a tropa de choque cercando o presídio.A tensão foi grande também quando os amotinados revelaram haver pelo menos quatro mortos: um refém e três presos.O movimento começou na quarta-feira, e as mortes teriam ocorrido no mesmo dia. Somente nesta segunda-feira, depois da libertação do refém Marcelo Leôncio, de 37 anos, a Secretaria de Segurança Pública recebeu a confirmação das mortes.Durante o dia foram libertados outros dois reféns, permanecendo 22 em poder dos amotinados.Os líderes da rebelião estão exigindo uma declaração formal, assinada pelo ministro da Justiça, José Gregori, de que terão garantia de vida.Eles também pretendem deixar o Paraná em um mesmo avião. Dos 23 líderes, 13 querem ir para São Paulo, 4 para o Mato Grosso do Sul, 4 para Santa Catarina, 1 para o Amazonas e 1 para o Pará.Até a noite desta segunda-feira, os mortos não tinham sido retirados de dentro do presídio.Segundo Leôncio, o agente Luciano Aparecido Amâncio, de 30 anos, foi morto às 18 horas de quarta-feira, no início da rebelião.Amâncio, nervoso, teria demorado para abrir um cadeado e liberar uma galeria. Foi morto com uma facada por um preso, conhecido como Repeck."Imediatamente, o grupo (líderes da rebelião) disse que não era para fazer isso, porque o objetivo era ir embora", disse Leôncio. O preso que matou Amâncio foi morto pelos líderes da rebelião.Provavelmente no mesmo dia, outros dois presos desentenderam-se, e um deles foi morto durante a briga. O sobrevivente também foi executado pela liderança da rebelião.As mortes serão apuradas pela delegacia de Piraquara e pela Delegacia de Homicídios de Curitiba.Leôncio, que estava havia 60 dias trabalhando na PCE, disse que, apesar da existência de reféns, o clima era tranqüilo.Pela manhã, os líderes da rebelião resolveram mostrar os reféns sobre a laje da PCE. No entanto, faltou Amâncio.Sua mulher, Maria Aparecida, que tinha ido pela primeira vez ao presídio depois da rebelião, teve uma crise nervosa e foi recolhida pela direção da penitenciária para receber atendimento psicológico.Por volta de 12h30, o secretário de Segurança, José Tavares, confirmou as mortes. Ele disse que só ficou sabendo disso na manhã desta segunda-feira, quando um preso conseguiu sair da área onde se concentram os rebelados e os outros 1.370 internos e chegar à portaria."Quando os líderes viram que já tínhamos a informação, eles liberaram um refém para relatar o que aconteceu", disse o secretário.Tavares apresentou um documento do Ministério da Justiça, assinado por um assessor do ministro, garantindo que a remoção dos presos se daria "dentro dos preceitos legais"."Todas as exigências foram atendidas", disse o secretário. "Espero que entreguem os outros reféns e deponham as armas."Na entrevista coletiva, Leôncio leu um comunicado do PCC em que o grupo pede para "abrir um ponto de diálogo, procurando uma solução, onde o bom senso se faça presente, procurando uma saída, onde as duas partes possam sair com dignidade e suas vidas preservadas".Segundo o comunicado, eles tinham omitido as mortes para ter mais segurança na negociação. O PCC diz que mantém a "palavra" de que vai preservar as 25 vidas em poder deles."Até o presente momento tudo está sendo cumprido. O fato ocorrido (morte de Amâncio) foi antes das negociações."O comunicado encerra-se pedindo "bom senso de todos para que esse episódio chegue ao fim da melhor forma possível, pois as conseqüências poderão ser fatais".O ex-refém também afirmou que em torno da penitenciária foram colocados vários botijões de gás, interligados com fios elétricos. "Não está difícil de explodir", disse. "E eles estão dispostos a isso." Nesta segunda-feira à noite, a energia elétrica tinha sido cortada, e a água estava acabando.

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