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Rebeliões continuam no interior; mais um ônibus é queimado

Embora o governador Claudio Lembo tenha anunciado, na noite de segunda-feira, 15, o fim das rebeliões no estado de São Paulo, pelo menos dois presídios da região Oeste do Estado continuavam dominados pelos presos nesta terça-feira, 16. Além disso, mais um ônibus foi queimado na capital, segundo informou o Corpo de Bombeiros.Em Irapuru, a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu o presídio às 9 horas. Foram usadas bombas de efeito moral para dominar os 964 detentos. A cadeia é dominada por três facções do PCC e ouve divergências na hora de cumprir a ordem dos líderes, para encerrar a rebelião. Os reféns foram soltos no final da tarde de ontem, mas um dos grupos se negava entregar as armas e voltar para as celas, que estavam destruídas. Na Penitenciária de Pacaembu, os 1.205 presos também continuam fora das celas, vigiados apenas pelos guardas da muralha. Familiares de presos que estavam retidos, foram liberados ontem.Um ônibus foi incendiado na Rua dos Têxteis, na altura do número 900, no bairro de Cidade Tiradentes, zona leste da Capital, na manhã desta terça. Segundo o Corpo de bombeiros, ainda não há informações sobre feridos. AtaquesApesar de o Primeiro Comando da Capital (PCC) ter ordenado o fim das rebeliões nos presídios do Estado e a suspensão dos atentados a quartéis, delegacias policiais, fóruns, agências bancárias e estações do metrô, na noite de segunda-feira e na madrugada desta terça três ataques deixaram três criminosos mortos.Por volta das 20h30 de segunda-feira, homens armados atiraram contra alguns prédios da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) localizados no final da Rua Santa Lucrécia de Aguiar, no Jardim Bela Vista, região de Vila Santa Amália, na zona norte da capital paulista. Segundo informações obtidas por policiais militares do 9º Batalhão de testemunhas, entre as armas usadas pelos criminosos havia um fuzil. Nos prédios, moram policiais civis e militares. Ninguém ficou ferido nem foi preso. Até a 1 hora da madrugada desta terça-feira a ocorrência não havia sido registrada no 38º Distrito Policial, o mais próximo do local do ataque.Fórum de OsascoNo final da noite de segunda-feira, dois homens seqüestraram o motorista de uma caminhonete em São Paulo e seguiram, com a vítima, em direção a Osasco, na Grande São Paulo, onde um terceiro homem se juntou a eles. Em seguida, os três foram até o Fórum do município, localizado na Avenida das Flores, 703, no Jardim das Flores, e efetuaram disparos contra o prédio. Um motociclista testemunhou o ataque e avisou a PM. Houve perseguição e troca de tiros, quando os três criminosos acabaram baleados. Dois deles morreram no pronto-socorro Pestana, onde o terceiro está internado. Ainda no final da noite de segunda-feira, o cabo PM Duca deixou a sede da 1ª Companhia do 14º Batalhão da PM, localizada na Avenida João de Andrade, no Jardim Santo Antonio, também em Osasco, após o dia de trabalho, e seguiu para casa em seu Fiat Uno cinza. A um quilômetro e meio da base, dois bandidos interceptaram o veículo e anunciaram o assalto. O policial, que estava à paisana, entregou o Uno e voltou para a base da companhia. Os criminosos estavam armados com uma granada, uma espingarda calibre 12 e um revólver 38. GranadaOs bandidos seguiram então para a base comunitária da mesma companhia, localizada na Rua Expedito Izídio de Andrade, 518, no Conjunto dos Metalúrgicos, onde atiraram três vezes e jogaram a granada, que explodiu, mas os policiais não se feriram. Os dois fugiram, mas quando seguiam por uma via lateral do Rodoanel Mário Covas, na região de Carapicuíba, eles cruzaram com um carro das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Houve tiroteio e um dos criminosos acabou baleado. Ele foi levado para o pronto-socorro Santo Antônio, no município de Osasco, onde morreu. O outro criminoso fugiu. As armas foram apreendidas e o veículo foi recuperado. Os dois ataques foram registrados no 1º Distrito Policial de Osasco.Onda de violênciaNa noite de ontem, o governador Claudio Lembo garantiu que não havia mais presídios rebelados no Estado. A rebelião de presos da história do País, articulada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mobilizou 87 penitenciárias, Centros de Detenção Provisória e cadeias e fez, pelo menos, 351 reféns. Além das rebeliões, a série de atentados contra policiais e agentes de segurança em todo o Estado durante o fim de semana deixou quase 100 mortos.O medo de que as ações da organização criminosa se alastrasse ainda mais provocou o caos na capital. Pelo menos 64 ônibus já foram queimados em todo o Estado, sendo 52 na capital. Ontem, os ataques paralisaram o serviço em várias regiões da cidade. O temor se estendeu ao comércio, que fechou as portas mais cedo. No meio da tarde, a cidade viveu um horário de pico antecipado, com milhões de pessoas tentando voltar para casa num volume jamais visto nem mesmo nos piores dias de trânsito. Os congestionamentos se estenderam por toda a cidade. Os ônibus que circulavam eram insuficientes para o número de pessoas e ficaram lotados. Táxis vazios viraram um artigo raro. Com a debandada, um toque de recolher informal, a cidade ficou deserta. Às 21 horas, o movimento de ruas e avenidas era o equivalente das madrugadas de clima frio.Os ataques e as rebeliões foram deflagrados pelo PCC depois que as autoridades transferiram cerca de 760 presos ligados à organização criminosa para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Alguns dos líderes da facção foram levados para a carceragem do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em São Paulo, na noite de sexta-feira para prestarem depoimento. A transferência foi feita justamente porque o governo estadual descobriu que o PCC planejava uma megarrebelião para o final de semana, aproveitando o Dia das Mães.

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