Receita Federal ''devolve'' Adeildda para o Serpro

Servidora é vinculada à empresa privada, mas trabalhava na agência em Mauá desde 1987

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

Apontada como uma das principais suspeitas no procedimento que culminou com a violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos, Adeildda Ferreira Leão dos Santos retornou ao Serviço de Processamento de Dados (Serpro), empresa à qual está vinculada.

A decisão foi comunicada pela Superintendência da Receita em São Paulo que, em nota divulgada ontem, destacou que na semana passada encaminhou ao Serpro "solicitação de retorno" de Adeildda à empresa pública.

A servidora trabalhava na Agência do Fisco em Mauá desde 1987. Localizada na Grande São Paulo, Mauá é o foco do escândalo que abala a Receita. Investigação da comissão de inquérito da Corregedoria indica que o acesso aos dados confidenciais de Eduardo Jorge ocorreu no computador de Adeildda, por meio do uso da senha de sua superior, Antônia Aparecida dos Santos Neves Silva, analista tributária. Adeildda diz que quando saía do trabalho desligava o computador, mas encontrava-o ligado no dia seguinte. "Me diziam que o computador ligava sozinho", afirma.

No último dia 27 de julho, Adeildda foi interrogada pela comissão, sob presidência de Levi Lopez. Ela declarou que exercia atividades diversas, "movimentava processos, fazia memorandos, encaminhava expedientes, na ausência do estagiário fazia o serviço de malote, na ausência da funcionária terceirizada trabalhava na triagem, respondia ofícios judiciais, trabalhava no protocolo".

Disse que Antônia emprestou-lhe sua senha de uso pessoal "para a realização de trabalhos, para acesso a declarações de imposto de renda". Não soube precisar quando recebeu a senha. Adeildda relata que seu computador "era acessado também por outros funcionários". Ela sugere responsabilidade de superiores. "Quanto a imprimir declarações de forma imotivada, se foram mesmo imotivadas, quem tem que responder sobre isto são os funcionários do escalão superior. Eu somente seguia ordens."

A Corregedoria constatou que os acessos às declarações de Eduardo Jorge relativas aos exercícios de 2009 e 2008 ocorreram no dia 8 de outubro do ano passado, respectivamente às 12h43 e às 12h41, na estação de trabalho de Adeildda. Questionada sobre a justificativa para tal conduta ela disse que deixava anotada em um papel, em sua gaveta, a senha de Antônia. A servidora do Serpro afirmou que fez uso do código de Antônia "em razão da grande demanda de serviços relativas a atendimentos de serviços judiciais".

Adeildda afirma que não acessou informações do vice do PSDB, que diz não conhecer. "Só tenho certeza que não imprimi as declarações do sr. Eduardo Jorge, pois naquele dia, excepcionalmente, saí por volta das 11h45. Não sei precisar ao certo, mas com certeza antes das 12 horas, para almoçar com meu marido e comemorar o nosso aniversário de 15 anos de casamento." Diz que só retornou à Receita "por volta das 13 horas, 13h10 para pegar suas coisas e ir embora".

Ela assegura que acessava e imprimia declarações "sempre a pedido de seus superiores e com a senha de Antônia, que lhe fornecia, assim como para outras pessoas, com finalidade de ajudá-la no trabalho."

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