Recém-nascido é encontrado com vida dentro de fossa no PR

Polícia investiga quem teria jogado o bebê de 27 dias e suspeita que tenha sido a mãe, uma jovem de 16 anos

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 16h08

Um bebê com apenas 27 dias de vida conseguiu sobreviver após ser jogado dentro de uma fossa séptica em uma casa de Jaguariaíva, a cerca de 230 quilômetros de Curitiba, no norte do Paraná. A polícia investiga quem jogou a criança. As maiores suspeitas estão sobre a mãe, que possui 16 anos. Ela nega que tenha tentado matar a criança, mas apresentou três versões diferentes sobre o momento em que percebeu o desaparecimento.   Além disso, seu depoimento entra em contradição com o do avô da criança, que também estava na casa. O pai do bebê estava na zona rural do município no momento em que o desaparecimento foi comunicado à polícia.   Segundo o delegado Gumercindo Athayde, os policiais foram avisados no fim da tarde de domingo, 13, sobre o sumiço do bebê. Ao conversar com a mãe, o investigador de plantão percebeu a falta de conexão no que ela falava, por isso foi até a casa acompanhado de policiais militares.   De acordo com o delegado, ao perceberem a existência de uma fossa, os policiais foram até lá, retiraram a tampa e, com a ajuda de uma lanterna, viram a criança mexendo-se no interior, há cerca de três metros. O bebê estava encostado na parede do buraco, com as pernas enterradas nos dejetos. O avô amarrou-se a uma corda e desceu para resgatá-lo. A criança continua internada no hospital da cidade, recuperando-se bem.   Athayde disse que ouviu a mãe no próprio domingo. Ela entrou em contradição. Primeiro disse que percebeu o desaparecimento da criança quando estava pondo roupas no varal, depois registrou que isso aconteceu no quarto do avô e, em terceira versão, disse que foi dentro do banheiro.   O avô, ouvido segunda-feira, deu outra versão. Ele disse que estavam vendo televisão em seu quarto, quando teria ouvido um gemido e mandou-a ver o que estava acontecendo. Ela teria dito, então, que a criança não estava no quarto, onde a teria deixado. A partir daí comunicaram os vizinhos e a polícia sobre o desaparecimento.   "Tudo leva a crer que foi a mãe", disse o delegado. Ele pediu que o Instituto Médico Legal realize exame de sanidade mental da mãe, inclusive para saber se ela esteve ou está sob influência do estado puerperal, período em que pode estar abalada emocionalmente. Testemunhas disseram que ela toma remédio forte, mas ela negou, dizendo que os medicamentos são para gagueira.

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