Recém-nascido sobrevive após ser enterrado vivo em MG

Ainda com o cordão umbilical, um bebê recém-nascido foi enterrado vivo em Governador Valadares (MG), na madrugada do último domingo, e permaneceu cerca de três horas sob a terra. A criança, do sexo masculino, foi resgata com vida e permanecia internada no Hospital Municipal da cidade no início da noite desta segunda-feira. Os pais, um lavrador de 20 anos e uma estudante de 16, são os principais suspeitos da tentativa de homicídio. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a mãe da criança, L.E.P, deu à luz ao menino e teria decidido enterrá-lo num pasto, próximo ao assentamento Oziel Alves, a cerca 600 metros do local do parto. Na manhã de domingo, os policiais prenderam em flagrante o pai do bebê, Marcondes de Paula, suspeito de ter ajudado a adolescente no parto e participado do enterro do próprio filho. A adolescente contou à família que a criança nascera morta, mas os parentes não acreditaram na versão e seguiram, junto com vizinhos, para o local onde foi enterrada. "Vimos a terra mexer e começamos a cavar, aí achamos um pezinho. Quando achamos o pezinho, eu coloquei a mão por baixo e levantei. Aí era a criança, estava respirando, mas um pouquinho gelada", contou uma amiga da família, Marina Rocha. "Assim que eu peguei, ele chorou e eu saí gritando (...) para ver se nós conseguíamos um carro para levá-lo para o hospital". Conforme a PM, o bebê foi enrolado num pano e enterrado a uma profundidade de cerca 10 centímetros. Os médicos que atenderam a criança acreditam que ela foi enterrada de uma maneira que permitiu a ventilação e contribuiu significativamente para sua sobrevivência. O menino deu entrada no Hospital Municipal sujo de areia e terra, com o cordão umbilical enrolado no pescoço, batimento cardíaco fraco e com dificuldade de respirar. De acordo com boletim do hospital, ele permanece internado na UTI Neonatal e seu estado de saúde era considerado estável. O menino, que nasceu pesando 2,8 quilos, estava sendo medicado com antibióticos para evitar infecções. A prefeitura local informou que ele iria permanecer no hospital até uma decisão judicial sob sua guarda. A mãe, com forte hemorragia, foi apreendida e levada para o mesmo hospital, onde estava internada sob escolta de policiais. O pai permanecia preso na cadeia pública da cidade. Ele negou envolvimento com o fato, mas a polícia afirma que já foram levantados vários indícios da participação do casal. "É uma gravidez que já havia sido rejeitada desde o início. Ela entrou em trabalho de parto sozinha, depois com auxílio, ou com aquiescência do pai, acabaram por enterrar essa criança", disse o inspetor Hélio Castro de Souza, da delegacia de Homicídios de Governador Valadares. Segundo ele, um crânio de cavalo foi colocado em cima do local em que foi enterrado o bebê. "Esse foi o quadro que encontramos no local".

Agencia Estado,

30 Abril 2007 | 18h13

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