Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Após mês com maior chuva desde 1910, reconstrução de BH deve custar R$ 300 milhões

Tempestade causou destruição em região centro-sul da capital mineira; prefeito Alexandre Kalil quer apoio financeiro do governo federal

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

29 de janeiro de 2020 | 14h28

BELO HORIZONTE - A reconstrução de Belo Horizonte após dias de forte temporal vai custar entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, segundo o prefeito da cidade, Alexandre Kalil (PSD). "O que aconteceu aqui, nenhuma cidade do mundo aguentaria. Paris, Nova York ou Boston." Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até a segunda-feira, 27, a capital mineira teve 809,7 milímetros de chuva, o dobro da média para todo o janeiro, de 329,1 mm. É o mês mais chuvoso na cidade desde 1910, quando foi iniciada a série histórica. 

Depois da tempestade de sexta-feira, 24, que atingiu a periferia da capital mineira, matando 13 pessoas, as chuvas da noite de terça-feira, 28, destruíram parte da zona sul da capital, área nobre da cidade, incluindo ruas em frente à casa do prefeito, que mora no bairro de Lourdes. Não houve registro de mortes em Belo Horizonte em decorrência das chuvas da terça-feira, mas houve um óbito em Nova Lima, na região metropolitana. 

Em BH, a força das águas arrancou o asfalto e destruiu carros e lojas na região da Praça Marília de Dirceu, na região centro-sul, e arrancou a canalização, abrindo uma cratera e interditando a Avenida Tereza Cristina, por onde passa o Ribeirão Arrudas, o principal da cidade. 

 

Kalil afirmou que espera que parte dos recursos saia do governo federal. O presidente da República, Jair Bolsonaro, deverá viajar a BH nesta quinta-feira, 30. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, Bolsonaro deve sobrevoar as regiões mineiras atingidas pelas chuvas, acompanhado dos ministros do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Desde a semana passada, o Estado teve 53 mortes por chuvas em 17 municípios, além de quase 46 mil desabrigados e desalojados. No total, 101 cidades estão em situação de emergência

"Esperamos a sensibilidade do governo federal". O gestor municipal disse ainda que o primeiro passo agora é limpar a cidade. A reconstrução, no entanto, só ocorrerá em período mais seco. O prefeito se comprometeu ainda a dobrar o número de funcionários e máquinas voltadas para a limpeza do município nesta quarta-feira, 29, elevando os números para 1,2 mil e 150, respectivamente. O objetivo, no momento, segundo o prefeito, "é desobstruir vias e colocar a cidade para andar".

 

Em entrevista, prefeito chora e pede paciência para a população

Ao anunciar as medidas, Kalil chorou por duas vezes. Também pediu paciência da população para a realização das obras. Ele disse ainda que o governo estadual decidiu pagar em três parcelas parte de uma dívida de R$ 200 milhões que tem com a prefeitura. "Vamos reconstruir essa cidade, que foi destruída por essa catástrofe", garantiu, tratando as chuvas em Belo Horizonte como o maior desastre nos 122 anos da cidade.

Kalil usou os estragos causados pelas chuvas na região centro-sul da cidade para reclamar de empreiteiros da capital que criticaram o plano diretor, aprovado no ano passado, e que prevê menos área da cidade para construção. "A resposta chegou à casa deles", declarou, se referindo ao fato de os empreiteiros também morarem na região atingida.

O prefeito garantiu a realização do carnaval em Belo Horizonte, hoje uma das folias de rua que mais atraem visitantes no Brasil. "O povo só é obrigado a sofrer? Vamos colocar cinco milhões no carnaval da cidade e com segurança", disse. O governo estadual, da gestão Romeu Zema (Novo), disse que vai liberar R$ 3,4 milhões para municípios castigados pelo temporal. /COLABORARAM PABLO PEREIRA, JULIA LINDNER e MATEUS VARGAS

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