Corpo de Bombeiros/Divulgação
Corpo de Bombeiros/Divulgação

Reconstrução de Xanxerê deve levar um ano, afirma prefeito

Cidade catarinense foi atingida por um tornado a 250 km/h; buscas por vítimas não se encerraram - duas mortes foram confirmadas

Aline Torres e Joimara S. Camilotti , Especiais para o Estado

22 de abril de 2015 | 11h53

Atualizada às 22h45

FLORIANÓPOLIS - O tornado a 250 km/h que atingiu Xanxerê, no oeste catarinense, na segunda-feira, destruiu metade da cidade. O prefeito Ademir Gasparini (PSD) decretou calamidade pública e estima que leve um ano para o município ser reconstruído. Um em cada cinco dos 48 mil habitantes relatou problemas com o fenômeno climático: há 6 mil desabrigados e 4 mil que sofreram danos materiais, incluindo donos de 2,5 mil casas atingidas. 

Segundo a Defesa Civil, os prejuízos chegam a R$ 45 milhões – R$ 12 milhões em bens públicos. Foram mais de 24 horas sem energia elétrica em toda a cidade. Nos bairros mais atingidos – Tacca, Bortolon, dos Esportes e São Jorge – ninguém tem luz (cinco torres de alta tensão caíram) nem água há 48 horas e não há previsão de restabelecimento.
Passado o tornado, classificado como F2, o cenário é de destruição em um raio de seis quilômetros. Pessoas desoladas insistem em não deixar as casas, por temerem perder o pouco que resta. Vários saques e furtos já foram registrados.

Também há quem tenha medo de voltar para casa. “Eu não tenho mais vizinhos”, disse Ana Moretto, de 63 anos, moradora do São Jorge. Na segunda, ela conta que só ouviu um barulho, foi até o quarto pegar o neto de 1 ano e o levou para debaixo de uma mesa, ao lado de outra neta, de 12 anos. “Eu só ouvia as coisas levantando e meus netos chorando muito. Foi desesperador. Quando pude abrir a porta e olhar para a rua, estava tudo destruído.”

Já o atleta Valdecir Padilha do Nascimento, de 10 anos, morador da Vila União, relatava nesta quarta-feira como escapou por pouco à destruição total do ginásio municipal Ivo Sguissardi durante o treino de rotina. Ao notar o tornado, o treinador pediu para que todos entrassem no vestiário. “Eu achei que nós íamos morrer, todos choravam. Quando saí de lá, meu primo estava gritando e me procurando debaixo dos tijolos.”

Feridos e Exército. Para organizar equipes de apoio, a cidade foi dividida em oito setores. Em cada um há bombeiros, policiais ambientais e assistentes sociais. A Polícia Militar faz rondas 24 horas. Grupos vasculham escombros em busca de corpos. Os mortos confirmados são Alcimar Sutil, de 31 anos, e Deonir Comin, de 48, já sepultados. Há registro de três pessoas que tiveram de passar por amputações.

Entre os 120 feridos, há quatro pessoas em estado grave. Um deles é o filho de Alcimar, de 8 anos, que foi protegido do desabamento pelo corpo do pai e está na UTI com hemorragia craniana. Os outros casos são uma menina de 5 anos com traumatismo craniano, um jovem de 18 com problemas neurológicos e uma senhora de 63 em coma induzido, respirando por aparelhos.

Pelo Ministério da Integração Nacional foram convocados 200 soldados para ajudar nos mutirões de reconstrução. Conforme a solicitação, eles fazem entrega de água, colchões e cestas básicas. Os ministros da Integração Nacional (Gilberto Occhi) e do Trabalho (Manoel Dias) e diversas autoridades estaduais acompanham os trabalhos.

O governo federal já anunciou a liberação do Fundo de Garantia (FGTS) para a população, além do envio de uma equipe para auxiliar no encaminhamento de seguro de residência e de veículos. O decreto federal de calamidade e emergência deve ser publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União.

Solidariedade. A população ajuda como pode. As cidades vizinhas já colaboraram com 700 colchões, mil cobertores, água, agasalhos e alimentos. Há donativos vindos de diversos Estados. Até famosos colaboram: o cantor Luan Santana enviou 50 cestas básicas. Já o programa Mesa Brasil Sesc anunciou a oferta de 6 toneladas de alimentos, água e produtos de higiene.

Em um improvisado espaço no parque de exposições Femi, cem voluntários fazem a triagem dos donativos. Móveis e materiais de construção também chegam a todo momento e há dificuldade em registrar todas as doações. 

Enquanto isso, um colégio foi oferecido para alojar os desabrigados. Mais de 150 colchões foram entregues pela Brigada Militar de Chapecó. Mas, de acordo com a diretora da escola, Ivanete Canello, apenas três famílias se abrigaram em salas do educandário. “As pessoas têm medo de deixar as casas.” O colégio acabou virando base para refeições de bombeiros, soldados e pessoas que precisam de ajuda.

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