Recurso do IPTU vai reformar convento

Em Santos, lei prevê que contribuinte adiante metade do imposto para obras no centro; Santuário do Carmo aderiu ao programa de incentivo

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

11 Agosto 2009 | 00h00

Com 420 anos, o terceiro mais antigo convento carmelita do País, localizado em Santos, litoral paulista, iniciou um processo de revitalização que deve ser totalmente custeado pela população. Os contribuintes do IPTU no município podem adiantar 50% do valor da taxa a ser paga no próximo ano para as obras de restauração do santuário, localizado no centro histórico.A captação de recursos foi viabilizada por meio da Lei Municipal 470 que, em 2003, criou o Programa Alegra Centro, para revitalizar e desenvolver a região central de Santos. O Santuário do Carmo é o primeiro bem eclesiástico a aderir ao programa, que também permite que o patrocínio seja feito com o adiantamento de até 50% do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN)."Isso trouxe a possibilidade de o cidadão saber precisamente onde estão colocando o seu dinheiro e, para nós, é uma boa via", afirma frei Lino de Oliveira, que há 11 anos é prior e reitor do convento. Segundo ele, a burocracia para se inscrever no programa é "desgastante", pois a lei requer a aprovação das intervenções em todos os níveis onde o bem é tombado, o que exige um minucioso trabalho de arquitetura.O complexo religioso do Carmo inclui o convento e duas igrejas: a da Ordem Terceira e a da Ordem Primeira, interligadas em uma única fachada por uma torre em comum. A singularidade do conjunto justificou o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1941. A igreja da Ordem Primeira e o convento também são patrimônios municipal e estadual. O prédio em estilo barroco apresenta retábulos da segunda metade do século 18, cheios de simbologia, com altares de madeira no estilo rococó e quatro telas do pintor Benedito Calixto.Orçada em R$ 305 mil, a primeira fase da revitalização inclui a restauração das paredes dos dois claustros (pátios internos do convento) e a reforma da torre, com lavagem da pedra, conserto de janelas, esquadrias e sino. A previsão é que a obra leve três meses, porém só vai começar quando todo o recurso estiver em caixa. Desde o início da captação, em fevereiro, foram arrecadados R$ 14 mil. No ano passado, a Igreja gastou R$ 105 mil para restaurar a fachada, conseguidos sem o apoio fiscal. "A revitalização completa inclui outras fases, com a restauração da parte interna da igreja, do piso e da iluminação, mas isso ainda tem de ser aprovado pelo Iphan", explica a arquiteta Adélia Mattos que, junto com o colega Gilson Braga, trabalha no projeto.Frei Lino pretende ver todos os 2.240 m² do conjunto revitalizados, porém não arrisca um prazo. "Tem muito trabalho ainda a ser feito, mas o mais importante é que estamos conseguindo evitar a especulação imobiliária", diz o frei, lamentando que quase 50% do complexo tenha sido demolido na década de 1970 para a construção de edifícios comerciais no entorno.

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