Recursos do BID vão beneficiar moradores de cortiços

Dezenas de famílias que vivem em cortiços lotaram hoje o mezanino do Palácio dos Bandeirantes. Com a esperança de que finalmente consigam um lugar melhor para viver, elas comemoraram a liberação de um financiamento de US$ 34 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ao Estado de São Paulo.O contrato foi assinado pelo governador Geraldo Alckmin e pelo presidente do BID, Enrique Iglesias, e veio acompanhado por um outro empréstimo do banco, de US$ 120 milhões, para recuperação de 1.300 quilômetros de estradas paulistas. Entre as vias que deverão receber melhorias estão a Rio-Santos e a Rodovia dos Tamoios.Para Alckmin, os investimentos são uma demonstração de confiança do BID no Estado e trarão vários benefícios. Entre eles, novos empregos, mais segurança aos motoristas nas rodovias e condições mais dignas de vida a pelo menos 20 mil famílias que moram em cortiços da capital, Santos e Campinas e serão beneficiadas em dez anos pelo Programa de Atuação em Cortiços.ParceriaAlém dos US$ 34 milhões do BID, o Estado entrará com US$ 36 milhões para resolver o problema. O projeto prevê a construção de prédios em bairros centrais, próximos dos empregos dos moradores, e já começou com a construção de um edifício na Avenida do Estado, no bairro do Pari.Na opinião de moradores de cortiços, o programa é uma boa resposta a uma luta de vários anos, mas ainda é preciso mais para acabar com o problema da habitação em São Paulo. Segundo a coordenadora do Fórum dos Cortiços e Sem-Teto de São Paulo, Verônica Kroll, só na região da Sé existem 4.400 casas de cortiço. Boa parte delas são casarões antigos, onde vivem pelo menos seis famílias em condições precárias de iluminação, ventilação, higiene e salubridade. "Elas têm um cheiro de mofo terrível, instalações elétricas e encanamentos muito antigos, banheiros que chegam a ser usados por várias famílias, pequenos cômodos para abrigar famílias inteiras, muitos ratos e baratas e nenhum espaço para as crianças brincarem", diz. "Se não tiver boa moradia, não adianta investir em educação e gastar dinheiro com saúde", completa, lembrando que, apesar de viverem mal, nos cortiços muitos pagam contas de aluguel, água a luz.É o caso da manicure Maria Teresa Mattos, de 41 anos, que gasta R$ 300,00 por mês num pequeno cômodo de um cortiço no Cambuci, onde vive com o marido e dois filhos. "Não queremos casa de graça, mas apenas um canto digno para morar", resume.

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