Rede ajudou no resgate de desempregado

A colocação de uma rede pelo Corpo de Bombeiros na Avenida 23 de Maio, embaixo do Viaduto Pedroso, no bairro do Paraíso, foi fundamental para que os bombeiros conseguissem resgatar ontem (terça-feira), às 23 horas, o desempregado cearense Nivaldo (sobrenome não revelado), que desde às 17 horas se equilibrava em uma pilastra do viaduto e ameaça se atirar. Nivaldo, que aparentava enorme cansaço naquele momento, se distraiu com a rede e permitiu que um bombeiro o segurasse pela camisa e pulasse na pilastra, juntamente com outros dois bombeiros, que o imobilizaram.Após ser resgatado, Nivaldo, que aparanta cerca de 30 anos, foi medicado com soro por paramédicos da equipe de resgate e levado a um hospital da região. Um dos participantes da ação, aplaudida no final pelos curiosos que estavam no local, o segundo sargento Luis Fernando Fiorini Barbosa, ressaltou que em vários momentos Nivaldo deu mostras de que realmente poderia pular do viaduto e, por esse motivo, foi necessário esperar tantas horas para que surgisse uma chance de resgatá-lo. Segundo ele, a ação final foi combinada entre os bombeiros, que até o momento vinham conversando com Nivaldo para que ele desistisse de pular.Durante todo esse tempo, Nivaldo também conversou com intregrantes do centro de assistência a desempregados que fica no próprio viaduto, mantido pela Igreja Metodista e pela Prefeitura, mas ninguém conseguiu tirá-lo do local. Um pastor da igreja, identi fic ado como Samuel, foi um dos seus principais interlocutores nessas seis horas. Um dos comandantes da operação, o capitão do Corpo de Bombeiros Ademir Ferreira Furtado, ressaltou também que conversar durante esse tempo com Nivaldo foi uma maneira de prender sua atenção, já que todas às vezes que eles se afastavam, o desempregado c hegava mais próximo da beira da pilastra."Foi necessário muita paciência e conversa. Nesse casos, é necessário esperar a melhor oportunidade para o resgate, que apareceu quando ele se distraiu com a rede", disse. Furtado acredita que a rede poderia amenizar a queda na 23 de Maio, mas a intensid ade dos ferimentos dependeria da maneira como ele cairia.Durante essas seis horas, Nivaldo reclamou que não tinha dinheiro, não conseguia emprego e que sua mãe estava doente, em seu estado natal, motivos que justificariam seu desespero. Ele repetia que gostaria de voltar ao Ceará, mas "não de mãos abanando".Ele chegou a manifestar a intenção de deixar a local, mas Nivaldo sempre desistia e voltava a ameaçar o suicídio. Nivaldo conversou ainda com um microempresário que, acompanhando da esposa, lhe ofereceu um emprego no seu restaurante. Nivaldo inicialment e aceitou a oferta, mas não deixou a pilastra do viaduto. Nivaldo esteve abrigado outras vezes este ano no centro de assistência. A assistente social Romana Célia, que trabalhava diretamente com Nivaldo, disse que ele passou a terça-feira no abrigo, ajudando em serviços domésticos e aparentava estar calmo. De a cordo com ela, Nivaldo jamais demonstrou que poderia tentar o suicídio. Ela também tentou dissuadí-lo, sem sucesso, no viaduto.O transito da região ficou complicado durante todo esse tempo, principalmente Viaduto Pedroso e na 23 de Maio que tiveram parte do tráfego desviado.

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