Rede de tráfico de órgãos pretendia expandir negócios

A rede internacional de tráfico de órgãos envolvendo Pernambuco e África do Sul, desbaratada há quase dois meses pela Polícia Federal, pretendia expandir a operação, que negociava rins, abrangendo também transplante de fígado e coração. A afirmação foi feita hoje pelo capitão aposentado da Polícia Militar Ivan Bonifácio da Silva, à Comissão Parlamentar de Inquérito estadual que investiga o assunto.O capitão Ivan disse ter ouvido a informação do oficial reformado do exército israelense, Gedalya Tauber, apontado como um dos líderes do esquema internacional. Ele não soube explicar como isso seria feito, mas em depoimento anterior à Polícia Federal, ele havia dito que o israelense estudou a possibilidade de fraudar a lista oficial de transplantes.Em Pernambuco, a rede internacional aliciava pernambucanos em bairros da periferia, que vendiam um dos rins, retirados em cirurgias realizadas em Durban, na África do Sul, a preços que variavam entre US$ 10 mil a US$ 3 mil. Parte dos vendedores do órgão se tornaram, depois, aliciadores de novos candidatos.AcareaçãoA CPI estadual colocou ontem, frente a frente, o capitão Ivan e o funcionário público aposentado Josué Luiz da Silva, acusado de aliciador. De acordo com a CPI, eles trabalhavam em um mesmo grupo comandado pelo capitão Ivan. Depois de um racha, passaram a existir três grupos de aliciadores - o do capitão, o de Josué e o da corretora Fernanda Calado.O capitão, Josué e os dois israelenses estão presos com outros 7 envolvidos. Um total de 28 pessoas foram denunciadas no caso. Na próxima semana a CPI deve ouvir os dois estrangeiros, além de José Nascimento Filho, o Zinho, citado em vários depoimentos como aliciador e que não foi preso nem ouvido pela Polícia Federal.

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