Rede Ferroviária tenta remover Favela do Moinho

A Rede Ferroviária Federal (RFF) já moveu ação de reintegração de posse na Justiça para tirar os barracos da Favela do Moinho, em Campos Elísios, instalada em área da empresa. Reportagem publicada nesta segunda-feira pelo Estado mostrou a situação de perigo a que estão submetidos os moradores da favela que vivem ao lado dos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).O chefe do escritório da RFF em São Paulo, Airton Franco Santiago, confirmou que o terreno pertence à rede. Os moradores reclamam do barulho feito pelas composições e dos riscos de serem atropelados pelos trens. Quando as composições circulam no trecho entre a Estações Júlio Prestes e Barra Funda, a distância entre os carros e os barracos é de menos de 1 metro."O barraco treme e, à noite, a gente mal dorme", reclama Maria, mãe de seis filhos. Além de sofrer com o barulho, ela teme que suas crianças sejam atropeladas. O medo de Alexandra dos Santos, de 33 anos, não é só pelos filhos. "Quando meu marido bebe, me desespero. Digo: Amauri, cuidado com o trem. Olhe bem para os dois lados."De acordo com Santiago, a invasão do local começou há dois anos, quando a Prefeitura retirou alguns moradores da Favela do Gato, nas margens do Rio Tamanduateí. "Depois que a Justiça conceder a reintegração de posse, a rede precisa encontrar um local para transferir os moradores e fazer um levantamento de quantas pessoas existem no local."Além da invasão, a área está em litígio na Justiça, pois o terreno chegou a ser leiloado sem conhecimento da RFF, que agora briga pela sua retomada.

Agencia Estado,

20 de janeiro de 2003 | 23h21

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