Rede Sendas começou como armazém na Baixada Fluminense

Presidente do grupo, Arthur Sendas foi morto nesta madrugada em seu apartamento no Leblon, zona sul do Rio

Alberto Komatsu, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2008 | 20h38

Um pequeno armazém em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, foi o pontapé inicial para a criação de uma das maiores redes de supermercados do País. Era o Armazém Trasmontano, fundado pelo comendador português Manoel Antônio Sendas no início dos anos 20. Após sua morte, em 1951, seu filho Arthur Sendas, com 16 anos à época, assumia a administração do negócio e abriu uma filial já com a bandeira Casas Sendas. O empresário foi assassinado na madrugada desta segunda-feira, 20.   Veja também: Acusado de matar Arthur Sendas apresenta-se à polícia Velório de Arthur Sendas será feito nesta segunda no Rio   A empresa comandada por Arthur Sendas participou de um dos maiores negócios do setor de varejo em dezembro de 2003, quando o Pão de Açúcar anunciou a compra de quase metade do capital da Sendas, criando a Sendas Distribuidora. O nascimento da empresa foi oficializado em 6 de fevereiro de 2004, com Arthur como presidente do Conselho de Administração, mas a gestão do negócio desde então ficou a cargo do Pão de Açúcar. Arthur também freqüentava as reuniões do conselho consultivo da rede paulista e integrava o conselho de administração da Petrobrás.   O contrato de criação da Sendas Distribuidora prevê que a ausência de seu presidente do conselho de administração deve ser discutida por seus conselheiros. A escolha de um novo nome terá de ser realizada por meio da convocação de uma reunião no prazo de 30 dias. Quando a Sendas Distribuidora foi oficializada, em 2004, já nascia como a quarta maior rede de supermercados do País, com 106 lojas e 16 mil funcionários. Hoje, são 100 estabelecimentos, sendo 62 da bandeira Sendas, 12 ABC Compre Bem, 17 Extra e nove Pão de Açúcar, no Rio. Seu faturamento no primeiro semestre alcançou R$ 1,6 bilhão. Pelo acordo de criação da Sendas Distribuidora, o Pão de Açúcar comprou 50% do capital da Sendas, cuja família ficou com iguais 50%.   O coordenador do Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA), Claudio Felisoni, afirma que a tendência é a marca Pão de Açúcar absorver gradativamente a bandeira Sendas, a exemplo do que foi feito com os supermercados Peralta, no litoral paulista. "A marca Sendas, no Rio, é muito forte. Eu acho que faz todo o sentido manter marcas, com operações diferenciadas. Mas eu tenho impressão de que gradativamente a operação Sendas vai ser absorvida, porque sua operação não apresentava nenhuma diferencial operacional", afirma.   A venda das ações da família Sendas ao Pão de Açúcar poderia ser antecipada caso o capital do Pão de Açúcar mudasse de mãos. Como em 2005 a rede paulista vendeu parte de seu capital para o grupo francês Casino, a família Sendas entendeu que poderia exercer a antecipação da venda das ações da Sendas Distribuidora. Mas o empresário Abílio Diniz, do grupo Pão de Açúcar, negou naquela época que havia vendido o controle de sua empresa.   Os franceses de Casino compraram 50% do capital do Pão de Açúcar. Os demais 50% estão nas mãos da holding Vieri, que controla a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), controladora da bandeira Pão de Açúcar. O impasse entre Sendas e Pão de Açúcar acabou sendo levado para uma câmara de arbitragem na Fundação Getúlio Vargas (FGV), que no início de abril deste ano deu ganho de causa ao Pão de Açúcar, rejeitando a venda antecipada das ações da família Sendas por R$ 700 milhões.

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