Rede social é usada em sequestro de menino de 9 anos em Ilhota (SC)

Garoto foi liberado após 96 horas em cativeiro; grupo planejou crime por meio de informações do Facebook

Tomás M. Petersen, Especial para O Estado

06 de junho de 2014 | 19h46

FLORIANÓPOLIS - A resolução do sequestro de um menino de 9 anos, na cidade de Ilhota, em Santa Catarina, reacendeu o debate sobre a exposição pessoal na internet. Os acusados afirmaram que o crime foi planejado com informações de redes sociais, como o Facebook.

No início da madrugada da última terça-feira, a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santa Catarina libertou o menino, que passou 96 horas em cativeiro no município de Penha. Na ação, dois sequestradores que reagiram à voz de prisão, segundo a polícia, foram mortos em confronto com policiais. Outros dois envolvidos foram presos.

O garoto foi sequestrado na noite de 29 de maio, enquanto andava de patinete na frente da quadra de esportes onde seu pai, Jean Carlos de Oliveira, de 32 anos, jogava futebol, em Ilhota. Pouco tempo depois, chegou o primeiro pedido de resgate, de R$ 500 mil, feito pelos bandidos para a família, que é proprietária de uma confecção de biquínis e lingerie na cidade.

Os investigadores conseguiram chegar ao cativeiro por meio do acusado de ser o mentor do crime, Peterson Willian da Silva Machado, de 34 anos, que já tinha antecedentes criminais por assaltos à mão armada na região sul do Estado. Após monitorar seus movimentos, a polícia decidiu prendê-lo, em Brusque, ao perceber que ele estava pronto para fugir. “A peculiaridade de um crime de sequestro é que é uma corrida contra o tempo. Cada segundo, cada momento é como se fosse triplicado”, disse o delegado responsável pela operação, Anselmo Cruz.

Machado era o envolvido que mantinha contato com a família e ameaçava o garoto de morte. “Ele chegou a ameaçar passar por cima do garoto com o cortador de grama, deu uma série de informações sobre a família, foi bastante agressivo”, disse o delegado.

Machado era companheiro de Rosicleide Rodrigues, de 32 anos, que já tinha trabalhado no setor de confecções, conhecia os pais da vítima do sequestro, e tinha passagens por extorsão e estelionato. Ela foi a primeira pessoa a ser identificada na investigação como envolvida no crime. E foi por meio dela que se chegou ao mentor.

Na sede da Deic, em Florianópolis, Machado afirmou para a polícia que a rotina das vítimas foi monitorada por meio das redes sociais. “Está tudo no Facebook. É só olhar, está tudo lá”, disse o criminoso, segundo depoimento à polícia. Rosicleide foi presa em Barra Velha, quando estava de malas prontas e prestes a fugir, depois que o garoto foi libertado.

Tiros. No cativeiro, o casal que mantinha o menino encarcerado foi morto em confronto com a polícia. A mulher foi identificada depois como Fernanda Marin, de 18 anos, natural de Peabiru, no Paraná, onde tinha passagens por tráfico de drogas.

O homem ainda não havia sido identificado pela polícia até a noite desta sexta.

“Muito empenho e dedicação e uma análise de inteligência muito forte levaram ao rápido e feliz desfecho do sequestro”, afirmou o delegado Cruz.

A operação envolveu 12 agentes da Polícia Civil das cidades de Ilhota e Gaspar. “Ninguém dormiu mais do que 3 horas por dia e cada viatura usada na operação rodou mais de mil quilômetros.”

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