Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Reeleição fortalece a oligarquia Sarney

PT quer formar coalizão pró-Dilma com três primeiros colocados na eleição [br]para o governo do Estado

Eugênia Lopes / ENVIADA ESPECIAL SÃO LUÍS, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Uma das últimas oligarquias políticas do País, a família Sarney sai fortalecida das urnas com a vitória em primeiro turno da governadora reeleita do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Além de eleger 12 dos 18 deputados da bancada federal, dois senadores e a maioria dos 42 deputados estaduais, Roseana conseguiu um feito inédito: depois de duas décadas venceu a eleição na capital, reduto considerado oposicionista.

Seus principais adversários nas eleições ficarão sem mandato e sem força par enfrentar o poderio do clã maranhense comandado pelo patriarca José Sarney (PMDB-AP).

"A ideia que São Luís virou sarneizista de repente não é verdadeira, não é fiel aos fatos", rebateu o deputado Flávio Dino (PC do B-MA), que por pouco não levou a eleição no Maranhão para o segundo turno.

"Ganhamos a eleição em São Luís", comemorou Roseana, assim sua reeleição foi confirmada. Ela obteve 43,24% dos votos em São Luís, o que corresponde a 215.791 votos. O comunista ficou em segundo lugar na capital, com 189.436 votos (37,96%). Já Jackson Lago (PDT), que foi três vezes prefeito de São Luís, obteve minguados 77.108 votos, o equivalente a 15,45%.

Derrotado na disputa pelo governo do Maranhão, o comunista emerge das urnas como o principal adversário da oligarquia Sarney no Estado. Mal terminou a apuração, ele fez questão de marcar posição e se credenciar como o principal líder de oposição no Estado. "Seguramente esta foi a última eleição que a oligarquia venceu", afirmou. "A oposição existe no Maranhão e continuará existindo. Não há risco de capitulação, de rendição nem de silêncio", bradou.

Depois de quase ter levado a eleição estadual para o segundo turno e com o cacife de 29,49% (859.402) dos votos válidos, Dino ficará sem mandato a partir de fevereiro do ano que vem e sonha em voltar a disputar a prefeitura de São Luís, em 2012. Será a segunda vez que o comunista concorrerá ao cargo: ele foi derrotado, em 2008, pelo tucano João Castelo, de 73 anos. Na época, Dino obteve 44,16% dos votos (214.302) na disputa de segundo turno pela capital. "Nesta eleição agora vencemos em São Luís se juntarmos a minha votação com a do Jackson Lago", observou Dino.

No comando do Estado há praticamente 44 anos, o grupo da governadora tinha como principal contraponto o ex-governador cassado Jackson Lago, do PDT. Foi ele que a derrotou em 2006. Mas prestes a completar 76 anos e com a saúde debilitada, o pedetista dificilmente vai enfrentar outra eleição. Lago sai das urnas menor do que entrou, com apenas 19,54% dos votos válidos (569.412). Em 2006, o pedetista impôs uma derrota fragorosa à Roseana.

Depois de acompanhar até a madrugada de segunda-feira voto a voto a apuração das urnas, Roseana disse esta deverá ser a última vez que disputa uma eleição: "Tenho vontade de deixar a vida política em 2014. Esta deve ser a minha última eleição".

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