Reeleito pela 4ª vez no Senado, Sarney fala em ''sacrifício''

Senador recebeu apoio de 70 dos 81 integrantes da Casa e, ao discursar, ignorou escândalos que abalaram Congresso

Andrea Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2011 | 00h00

O senador José Sarney (PMDB-AP) foi reeleito ontem com apoio de 70 dos 81 integrantes da Casa para sua quarta gestão na presidência do Senado. No discurso de posse, repetiu que marcha mais uma vez para o "sacrifício pessoal". Sarney venceu o único adversário na disputa, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), escolhido por oito parlamentares. Um senador optou por anular o voto e dois votaram em branco.

Em seu discurso de posse, Sarney não mencionou diretamente a sucessão de escândalos da qual foi protagonista em 2009. O ápice da crise foi a revelação, pelo Estado, dos atos secretos, usados para nomear parentes dele e de outros senadores e criar privilégios para os parlamentares e funcionários. Na segunda-feira, reportagem do Estado mostrou que a reforma administrativa prometida por Sarney durante o escândalo está parada, sem perspectiva de votação.

Se o presidente do Senado preferiu não tocar no assunto, o candidato azarão do PSOL não deixou a crise ética da Casa de fora de seu discurso. "Minha candidatura é uma forma de dizer não à prática de jogar os graves problemas éticos do Senado para debaixo do tapete", afirmou Randolfe. "Defendo a revisão de todos os contratos e profunda auditoria nas contas da Casa. E, principalmente, total transparência de seus gastos e ações."

Sarney lembrou, no discurso, que é o parlamentar com maior tempo no Congresso - ele chegou à Casa em 1955. Recordou que viu mais de 50 Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e que nenhuma levantou qualquer coisa contra ele.

No entanto, omitiu que, por causa dos atos secretos, foi alvo de representações por quebra de decoro no Conselho de Ética em 2009, todas arquivadas sem julgamento, com apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De novo, disse que não queria ser presidente do Senado. "Não desejava o encargo, mas dele não pude fugir", afirmou, ressaltando que a confiança dos senadores o "conforta e aumenta as responsabilidades no cargo".

Aproveitou para exaltar as qualidades pelas quais, segundo ele, é reconhecido. "Vi duas ditaduras, alguns golpes de Estado, dois fechamentos do Congresso, sendo sempre um homem de diálogo e conciliação, sem abrir mão dos meus princípios democráticos, que não se resumiram a palavras, mas ações, presidindo o governo da Nova República, convocando a Constituinte (...), presidindo quatro eleições, legalizando os partidos banidos por razões ideológicas."

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