Refém fugiu enquanto sequestrador dormia

Grávida de dois meses e desempregada, a jovem Juliana Medeiros de Carvalho, de 25 anos, dormia quando o assaltante invadiu sua casa. "Eu escutei um barulho, mas, como sempre acordo mais tarde, nem liguei, achei que fosse discussão na vizinhança e voltei a dormir. Quando percebi, o homem já estava no meu quarto, com um revólver na mão, dizendo que ia me fazer refém." A jovem, que mora sozinha e tem família em Nova Iguaçu, no Estado do Rio, ainda estava sonolenta e demorou a acreditar no que acontecia. "Moro em São José dos Campos há quase dois anos e nunca havia passado por nada disso. Não consigo ficar calma nem esquecer", relatou com voz trêmula, na delegacia, depois de prestar depoimento. Segundo Juliana, o assaltante Willian Ferreira da Silva fazia ameaças o tempo todo. "Ele dizia que se alguém entrasse me mataria e depois tiraria a sua vida. Falava que agora tudo estava perdido e ele não tinha mais nada a perder", disse.A imprensa entrou nas negociações a pedido do sequestrador. "Era a exigência que ele fazia para não me matar", afirmou Juliana. Os policiais, então, solicitaram a ajuda de um repórter da Rádio Bandeirantes de São José dos Campos, que conversou com o sequestrador por telefone celular. "Pedi que ele se acalmasse, que colaborasse." Ao repórter, o fugitivo disse que "iria pensar".Willian, então, perguntou se tinha matado o policial na igreja. O repórter disse que não. Nesse momento, Juliana disse que estava com dores e precisava de remédios. "Ele, então, reclamou que estava com sono e disse que ia dormir. Em seguida, deitou em um colchão que estava no chão do quarto."Willian, que segundo Juliana parecia drogado e estava sem dormir há quatro dias, caiu no sono. "Quando percebi que ele realmente dormia, fui até a porta do quarto e abri com cuidado, sem fazer barulho. Daí, saí correndo", contou a jovem.

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